A sociedade evoluiu? | Gazeta Digital

Domingo, 21 de janeiro de 2018, 00h00

Editorial

A sociedade evoluiu?

Da Editoria


As sociedades mato-grossense e brasileira evoluíram de forma evidente nas últimas décadas. Sobretudo, quanto à tecnologia. Hoje em dia é difícil encontrar quem não tenha um smartphone, esteja conectado às redes sociais e fique alheio a algum vídeo viral da semana. Temos a possibilidade de interagir com qualquer pessoa ao redor do mundo, mesmo os mais famosos, e trocar opiniões e experiências. Ou seja, ampliamos nossos horizontes sociais, nos deparamos com gente de todo o tipo, reconhecemos que há espaço para o diferente, o não convencional, além de deixar para trás algumas ideias ultrapassadas e equivocadas que funcionavam quando as informações não circulavam com essa abrangência toda. Certo? Nem tanto. Dominar a tecnologia não significa que somos mais evoluídos que nossos avós, quando estes ainda sentiam o frescor da juventude. Quando ouvimos histórias sobre as práticas sociais de 50 anos atrás, consideramos curioso. "Como assim, as mulheres não tinham autonomia para trabalhar fora, saírem sozinhas, estudar?".

Falamos como se vivêssemos no mundo mais democrático e igualitário possível. Já estamos há um bom tempo no século 21, mas algumas coisas parecem que nunca mudam, quando não pioram. Um exemplo claro: somente o machismo mais medieval explica a repetição e frequência de casos de feminicídio atualmente. Em Mato Grosso, quatro mulheres já foram brutalmente assassinadas por seus companheiros ou ex-companheiros apenas nesses primeiros dias do ano. O roteiro é sempre o mesmo. Homens que simplesmente não aceitam que suas esposas ou namoradas tomem uma providência quanto à se sentirem presas e oprimidas em um relacionamento abusivo. As vítimas buscam recomeçar, mudar de vida e seguir em frente, mas isso lhes é negado. O caso mais recente aconteceu em Guarantã do Norte.

A mulher morreu com golpes de faca enquanto amamentava um dos seus filhos em casa. O ex-marido sequer pensou na criança ou nos familiares que estavam presentes e executou o crime de forma bárbara. E não são casos esporádicos, fruto da mente doentia de alguns poucos infelizes. Agredir e matar mulheres é algo que ocorre todos os dias, nas classes A, B, C e todo o alfabeto possível, embora a Lei Maria da Penha tenha trazido um respaldo importante para as vítimas e penalizado mais os seus algozes. Além de questões individuais inexplicáveis, a razão para a perpetuação desse tipo de violência certamente tem raiz em mentalidades atrasadas. Muitos homens não procuram exatamente uma companheira para que ambos cresçam juntos, mas sim alguém que apenas lhes dê conforto e esteja sempre à sua disposição. É por acreditar que uma pessoa lhe pertence, como um objeto qualquer, que esses atos de crueldade se repetem. Quando ouvir teorias exageradas sobre a evolução da espécie ou da sociedade, faça sempre essa reflexão como contraponto. Ainda que não deixem transparecer, há muita gente que age como selvagem e primata. Outros não entendem que a vida não é somente um mero passar de horas. Sempre é possível aprender, se arrepender e sair da ignorância.

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