Novas parcerias com a China | Gazeta Digital

Segunda, 22 de janeiro de 2018, 00h00

Novas parcerias com a China

Daniel Almeida de Macedo


Segundo um recente levantamento feito pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) relativo ao ano de 2017, o estado de Mato Grosso é responsável por 46% das exportações da soja brasileira. O milho está na segunda posição com 19% das vendas. Segundo o Mdic, o estado é o sexto colocado no ranking brasileiro de exportações com US$ 14.728 milhões, contribuindo significativamente para o saldo positivo de US$ 67 bilhões da balança comercial em 2017. O principal importador das comódites agrícolas produzidas no estado é a China. Aliás, o gigante asiático é hoje o principal parceiro comercial do Brasil, e compra também grande parte do minério de ferro e óleos brutos de petróleo produzidos em solo nacional.

Quando se trata da China, as referências e números são superlativos. O país com a maior população mundial, 1,379 bilhão, opera com enormes escalas de bens e serviços, especialmente no campo da aquisição de alimentos para garantir a segurança alimentar de sua população. O estado de Mato Grosso, por sua vez, vem se beneficiando da demanda chinesa por comódites para consolidar e ampliar sua relação comercial com a China. Ainda que as operações de exportações não se convertam em Impostos Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), em razão da Lei Kandir, que isenta produtos primários desse imposto, a cadeia produtiva do agronegócio movimenta a geração de insumos, serviços e mão de obra qualificada. E não se pode esquecer que, mesmo com alguma dificuldade para receber, o estado posteriormente é compensado pela União com recursos do Auxílio Financeiro para o Fomento às Exportações (FEX).

Mas ainda há outros aspectos muito interessantes que começam a derivar dessa relação comercial com a China, entre esses está a cooperação tecnológica. Dois exemplos ilustram um caminho que aos poucos pode se mostrar promissor para a sociedade mato-grossense. O primeiro refere-se ao anúncio da instalação de uma fábrica chinesa de drones agrícolas no estado. Cerca de 10 municípios estariam sendo avaliados para receber investimentos na ordem de US$ 22 milhões para instalação da planta industrial. Uma vez efetivado, ao lado dos empregos diretos e indiretos gerados, esse projeto impulsionará o desenvolvimento de um novo segmento de atuação profissional, caracterizado pelo emprego de tecnologia de ponta.

É uma boa notícia, especialmente para os jovens mato-grossenses capacitados e ávidos por oportunidades nesse campo. Outro exemplo sobre como a parceria Mato Grosso - China pode extrapolar o agronegócio refere-se à assinatura de um protocolo de intenções com a empresa chinesa ZN Solar, objetivando a fabricação de placas solares de captação de energia. A China se destaca por ser um dos países que mais produzem energia solar. As imagens das centrais de captação de energia solar naquele país impressionam pela quantidade de placas fotovoltaicas que se espraiam pelos campos.

Certamente há muito a aprender com a China nesse segmento no qual é líder, e como o sol é muito generoso em Mato Grosso, há um grande potencial de crescimento dessa fonte de energia por aqui.

Mato Grosso tem uma clara vocação agropecuária, porém é necessário superar esse paradigma e alcançar novas parcerias comerciais com vistas a agregar valor ao que se produz no estado. Os documentos recentemente firmados pelo governo para a instalação de plantas industriais chinesas são uma interessante novidade para a sociedade, na medida em que indicam a possibilidade de mudanças nesse tradicional paradigma produtivo, fortemente baseado no setor primário. É oportuno para o estado de Mato Grosso, em um mundo cada vez mais caracterizado pela economia digital, investir esforços grandes para trazer e agregar mais tecnologia à sua infraestrutura produtiva.

Daniel Almeida de Macedo é doutor em História Social pela USP

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