Julgamento não é paredão do BBB | Gazeta Digital

Terça, 23 de janeiro de 2018, 00h00

Julgamento não é paredão do BBB

Caiubi Kuhn


Nos últimos anos as operações de combate à corrupção têm sido um assunto sempre presente na mídia brasileira e nas redes sociais. Considero as operações algo muito positivo para o país, pois, devido a elas, poderemos ter mudanças profundas na forma de se fazer política no Brasil. Mas uma coisa é certa, os julgamentos não devem ser feitos com base em clamor popular, todo e qualquer caso deve ser analisado a partir das provas e indícios, e a análise deve ser feita de forma séria, garantindo o amplo direito à defesa a cada indivíduo.

Precisamos passar o país a limpo e resgatar nossas instituições. Sei que é difícil acreditarmos algumas vezes no Judiciário, no Executivo ou no Legislativo, todos os poderes passam por crise de credibilidade, mas é impossível termos um país que funcione sem essas instituições que são a base do estado moderno.

No próximo dia 24/01 ocorrerá o julgamento do ex-presidente Lula, e diversos grupos estão organizando manifestações pedindo que o presidente seja inocentado ou condenado. A justiça é composta por várias instâncias, e, em teoria, o conjunto delas garante um julgamento correto. Não enxergo com bons olhos movimentos políticos tentando influenciar a decisão de um julgamento. Ou tampouco alguns que chegam ao cúmulo de, por exemplo, pedir o fim da ficha limpa, ou a condenação sumária.

Se você acredita na inocência do Lula, e se ele for de fato inocente, isso será provado nesta ou na próxima instância, lembre-se que boa parte do Supremo foi indicada pelo ex-presidente, e caso você duvide da retidão do Supremo, parte da culpa será dele mesmo. Por outro lado, se você acredita que o julgamento feito pelo Moro em Curitiba foi correto e está baseado em provas, então também deve acreditar que a decisão será mantida.

As manifestações contra ou a favor trazem a sensação de que nosso país vive um direito relativo, ou seja, em casos similares a condenação valeria para um e não para outro. A afirmação dessa ideia através dos movimentos políticos com certeza é um risco para a construção democrática do Brasil, sejam esses movimentos de esquerda ou direita. A justiça não pode ser igual paredão do BBB, onde cada um vota e define o destino de um cidadão com base no seu pensamento pessoal, a justiça deve ser igual para todos e com os mesmos critérios.

Defendo a democracia e o estado de direito, e quero acreditar que o Judiciário irá fazer o seu papel de forma correta, e se por acaso algum erro for cometido, a história tratará de demonstrar futuramente quem estava certo ou errado.

Caiubi Kuhn é geólogo, mestre em Geociências pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)

Docente do Instituto de Engenharia, Campus de Várzea Grande, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). E-mail: caiubigeologia@hotmail.com

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