Semana decisiva | Gazeta Digital

Terça, 23 de janeiro de 2018, 00h00

Semana decisiva

Juacy da Silva


Esta semana deverá passar para a história política brasileira como um marco emblemático e também poderá ser considerada a base das eleições presidenciais de outubro vindouro. Nesta quarta-feira, dia 24 de janeiro de 2018, o Tribunal Federal Regional, da Justiça Federal, em Porto Alegre, deverá julgar o recurso interposto pela defesa do ex-presidente Lula em relação à condenação imposta a ele pelo juiz Sérgio Moro, a nove anos e meio de prisão, pelas acusações de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, no "affair" do famoso triplex do Guarujá.

Depois de passar praticamente incólume pelos seus oito anos de governo, apesar do escândalo do Mensalão, que levou à condenação e prisão da cúpula petista na época e de figuras de proa de partidos aliados que o apoiavam no Congresso Nacional, Lula acabou caindo na rede da Operação Lava Jato, como um peixe graúdo, além de diversos empresários, políticos e gestores públicos, todos amigos ou próximos de Lula, muitos que abriram o bico e deram com a língua nos dentes dizendo que, apesar de Lula assemelhar-se àquele macaquinho que coloca as mãos nos ouvidos, na boca e nos olhos, dando a entender de que nada ouve, nada fala e nada vê, Lula acabou enrolado em diversos processos de investigações, bem menos do que, por exemplo, Eduardo Cunha, Sérgio Cabral, Gedel Vieira Lima, Rocha Loures, Garotinho, Maluf, Silval Barbosa, José Dirceu, Antônio Palloci, Marcelo Odebrecht, José Carlos Bumlai e tantos outros figurões que estão, já estiveram ou ainda poderão ir parar atrás das grades.

Mesmo com tantos processos, parece que Lula realmente, em sua trajetória, deixou de ser um grande líder sindical, para se transformar em um dos políticos mais sagazes ou talvez um mito no imaginário coletivo, tanto é verdade que há mais de ano, em todas as pesquisas de opinião pública onde são sondadas as preferências dos eleitores quanto aos candidatos, pre-candidatos ou pretensos candidatos à presidência da República, está sempre em primeiro lugar, disparado na frente, com mais de 30% das intenções de voto, praticamente o dobro do segundo preferido, o deputado Jair Bolsonaro, militar reformado, considerado linha-dura, alinhado com a extrema direita e demais forças conservadoras, parte que, inclusive, propugna por intervenção militar no cenário político nacional.

Os demais pretensos candidatos, Marina Silva, Alkimin, Dória, Alvaro Dias, Rodrigo Maia e outros vinculados aos diversos partidos nanicos, tem menos de 15%, alguns menos do que 5%, ou seja, são candidatos de si mesmos ou de seus apoiadores partidários e não empolgam a população e nem os eleitores.

Assim, dependendo do julgamento desta quarta-feira, teremos três cenários. No primeiro cenário, Lula, se condenado, poderá ser levado à prisão e aí o PT, MST e outros movimentos sociais devem dar início a uma grande agitação política gerando muitos conflitos pelo país afora, colocando em risco a estabilidade política e institucional, complicando, inclusive, a realização das eleições.

No segundo cenário, Lula poderá ser condenado, mas aguardará em liberdade algum recurso judicial e com certeza reforçará seu discurso de vitimização, de perseguição política e deverá intensificar sua maratona pelo país, promovendo sua defesa junto ao povo e, ao mesmo tempo, intensificando sua candidatura e fortalecendo o discurso de oposição ao atual governo e seus apoiadores, muitos dos quais já foram aliados e comensais da mesa do poder, quando Lula e Dilma foram presidentes; esses são os eternos parasitas e oportunistas de plantão, que estão sempre à sombra do poder, pouco importa quem seja o governante de plantão.

No terceiro cenário Lula será inocentado e, da mesma forma que nos dois cenários anteriores, isto reforçará seu discurso e críticas às "zelites" conservadoras, reacionárias e insensíveis aos dramas da população mais pobre e excluída da sociedade, forcas essas que o próprio Lula atraiu e com elas organizou seus governos, favorecendo, inclusive, os grandes grupos econômicos e políticos inescrupulosos do PT e de, praticamente, todos os partidos, se locupletaram com o fisiologismo e a corrupção.

Neste último cenário, a vitória de Lula na corrida presidencial parece que será praticamente certa, cabendo apenas a dúvida, de quem deverá ser chamado/a por Lula para compor seu novo Governo.

Por último, Lula sendo condenado e/ou preso e impedido de ser candidato à corrida eleitoral para a Presidência da República estará praticamente zerada e aí vai ser difícil para o eleitor escolher candidatos confiáveis, com projetos claros de desenvolvimento nacional e as propostas para o país sair da crise e que forças estarão apoiando cada candidato, lembrando que os corruptos, oportunistas e aves de rapina estarão à espreita para apropriar-se da chave do cofre.

Enfim, vamos aguardar mais alguns dias ou semanas até que as coisas estejam mais claras, com uma única certeza, o Brasil não suporta mais ser governado por criminosos de colarinho branco, demagogos, políticos fisiológicos e oportunistas de sempre, seja em nível nacional, nos estados e municípios. Se isto acontecer, nossa desgraça só tende a piorar.

Oxalá os partidos políticos e os eleitores tenham consciência desta realidade e evitem eleger ou reeleger as figuras carimbadas, políticos corruptos, fisiológicos, incompetentes ou que desejam mandados para se protegerem como ocorre no foro privilegiado ou então para arquitetarerm seus esquemas de favorecimentos e roubalheira, imaginando que a administração pública seja uma sinecura ou propriedade desses políticos demagogos e corruptos.

Juacy da Silva é professor universitário, titular, aposentado UFMT, mestre em sociologia. Email professor.juacy@yahoo.com.br

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