Desmistificando a epilepsia | Gazeta Digital

Quarta, 24 de janeiro de 2018, 00h00

Desmistificando a epilepsia

Bruno Reginato Gumiero


A epilepsia é a segunda doença neurológica mais comum, com cerca de 69 milhões de pessoas acometidas ao redor do mundo. Ela é definida pela liga internacional contra a epilepsia (ILAE) como um "distúrbio cerebral caracterizado pela predisposição persistente do cérebro em gerar crises epilépticas e pelas consequências neurobiológicas, cognitivas, psicológicas e sociais dessa condição", onde a manifestação clínica é a crise convulsiva, configurada por sinais e sintomas transitórios, decorrentes de uma atividade neuronal síncrona e excessiva do cérebro.

É de conhecimento comum que as crises tônico-clônicas generalizadas, as quais inicialmente apresentam-se como tônica (quando os quatro membros ficam enrijecidos em uma única posição), eventualmente com versão cefálica, evoluindo para movimentos clônicos (quando os membros realizam movimentos repetidos de maneira rítmica, em flexão ou extensão) e posteriormente atonia (falta de movimento) de todo o corpo com o paciente desacordado, não passem despercebidas, gerando inclusive, nos que assistem, uma angústia e medo de que de alguma forma aquela pessoa não é normal ou possua uma enfermidade extremamente grave.

Porém, a grande maioria das crises convulsivas podem passar imperceptíveis, inclusive por profissionais da área da saúde, devido a características sutis durante sua apresentação, tais como: "dar um branco" durante uma conversa; sentir um cheiro extremamente ruim quando ninguém mais percebe; ter a impressão de já ter vivenciado aquela cena como se fosse um filme se repetindo; terceiros descrevendo atitudes que o paciente não se recorda de ter realizado; atitudes agressivas tanto verbais quanto físicas com duração de alguns segundos a minutos que não são comuns àquela pessoa, muitas vezes levando o paciente à reclusão social, dificuldades para arranjar emprego ou medo de estar em público, gerando nas pessoas que presenciam as crises certos receios de convívio.

O tratamento para epilepsia se baseia em uso de medicação, tendo atualmente cerca de 40 delas desenvolvidas ao longo dos anos para o controle das crises convulsivas, sendo que para cada tipo de crise existe um medicamento que é melhor indicado para o início do tratamento, além de uma dose mínima necessária para sua maior efetividade. Pacientes com bom controle de crises, em uso regular das medicações e acompanhamento especializado, podem desfrutar de uma vida normal como qualquer outra pessoa, não tendo que se excluir da sociedade devido ao medo de ter crises em público.

Bruno Reginato Gumiero é neurologista e epileptologista do Vida Diagnóstico e Saúde

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