Uma década construindo um caminho | Gazeta Digital

Sábado, 27 de janeiro de 2018, 00h00

Uma década construindo um caminho

Otávio Celidonio


Neste mês de janeiro completei uma década de serviços prestados para o Sistema Famato. Ao todo foram oito anos no Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e dois anos no Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT). Apesar de a tecnologia ter melhorado a minha visão por meio de uma cirurgia moderna, o tempo me trouxe muitos cabelos brancos, rugas e, digamos que, uma menor densidade de cabelos, mas também me trouxe muita experiência.

Sei que 10 anos não é tanto tempo assim, mas é uma data emblemática e, por isso, me fez refletir profundamente sobre as mudanças e os caminhos escolhidos ao longo dessa jornada.

Minha chegada ao Sistema Famato coincidiu com uma época de mudanças profundas no Sistema representativo dos produtores rurais de Mato Grosso. O Fundo da Cultura da Soja havia sido criado recentemente e a Associação de Produtores de Soja e Milho (Aprosoja) ocupava uma sala apertada e estreita no segundo piso do prédio da Famato.

A Acrimat ainda viria a ser estadualizada em meados de 2008. No Sistema Famato o Senar-MT estava de mudança, passando a ocupar prédio próprio e estávamos começando uma profunda reestruturação do Imea, onde comecei como analista da bovinocultura de corte.

Formamos um time único, que não só trabalhou muito, mas que sempre entendeu e acreditou na missão do Imea, tanto que o Instituto rapidamente tomou uma dimensão enorme, passando a ser referência em Mato Grosso e no Brasil. O Imea se tornou um grande laboratório e uma fábrica de talentos. Quanta gente boa passou por ali. Eu segui firme e não demorou muito para que o sucesso e a oportunidade dos outros se transformassem também em oportunidade para mim.

Com apenas 2,5 anos de casa e 27 anos de idade fui convidado para ser Superintendente do Imea. Não foi fácil. Confesso que pensei em desistir várias vezes e tive que trabalhar duro para, além de desenvolver competências técnicas como o de entender cadeias do Agronegócio que não conhecia , construir novas competências comportamentais, que me permitiram dar entrevistas, fazer palestras e, principalmente, negociar com colaboradores, parceiros e diretores.

É difícil saber qual o segredo do sucesso, até porque, geralmente, é uma junção de vários fatores, mas um ponto que sempre trabalhei muito foi deixar o trabalho de todos mais fácil. Eu levava isso tão a sério que costumava dizer uma frase bem-humorada da república onde morei em Piracicaba (SP). "Se cada um fizer um pouco, a gente não precisa fazer nada". Sempre trabalhei, deliberadamente, para ensinar tudo o que sei e, assim, ser cada vez menos necessário.

Para alguns pode parecer loucura, mas sempre acreditei que ao tornar o nosso trabalho (ou pelo menos parte) desnecessário abrimos uma janela para encontrar novos problemas e, consequentemente, novas oportunidades. Então, quando eu estava muito próximo de "não precisar fazer quase nada" no Imea, meu momento chegou e fui convidado para um desafio ainda maior: ser superintendente do Senar-MT.

O desafio do Senar-MT é hoje proporcional ao tamanho do Agronegócio mato-grossense. Isso porque, além das metas operacionais realizar cerca de seis mil eventos em todo o Mato Grosso, administrando mais de 150 colaboradores, 300 instrutores e a parceria com 90 sindicatos, ainda temos que promover a transformação da vida dos produtores e trabalhadores rurais por meio da educação.

Apesar dos grandes números, é interessante ver como rapidamente esses indicadores deixam de nos impressionar. Na verdade, teve um momento em que senti que tinha perdido a motivação. Ao ver tornarem-se rotina algumas conquistas, não conseguia mais me lembrar das que mais tinham ajudado os produtores e também daquelas das quais mais me orgulhava.

O que curou isso foi a maturidade desses dez anos. Foi perceber que o sucesso não é moldado com resultados, mas com o constante aprendizado e ensino de habilidades e culturas. Foi perceber que só conseguimos ter "a opção de não fazer quase nada" quando o propósito é compartilhado pelos demais colaboradores, ou seja, que estes não só se sentem bem recompensados, mas também entendem a importância, têm competências técnicas e amam o que fazem. E, felizmente, perceber que ajudei a assentar alguns tijolos na construção desse caminho.

Otávio Celidonio é superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (SENAR-MT)

Gazeta Digital também está no Facebook, YouTube e Instagram   



Aguarde! Carregando comentários ...


// leia também

Terça, 22 de maio de 2018

00:00 - Setor imobiliário na esteira do agronegócio

00:00 - Coronel Chico Belo

00:00 - Médico do cafundó

00:00 - Milícia não é polícia

00:00 - Para além do casamento real

Segunda, 21 de maio de 2018

13:08 - Corrupção e descaso na Saúde Pública

12:16 - Voluntariado é um ato de respeito e solidariedade ao próximo

00:00 - A Nova Economia

00:00 - Mudanças na realeza

00:00 - O poder do cidadão


 ver todas as notícias
Cuiabá, Terça, 22/05/2018
 

Facebook Instagram


Fogo Cruzado
titulo_jornal Terça, 22/05/2018
0f65f11e2004b62e37dcf52875f1521b anteriores



Indicadores Econômicos

Mais Lidas Enquete

Você contribuiria com a campanha de algum candidato por meio da vaquinha virtual?




Logo_classifacil









Loja Virtual