Detalhes históricos: as crianças | Gazeta Digital

Sexta, 02 de fevereiro de 2018, 00h00

Detalhes históricos: as crianças

Elias Januário


Em um dos textos deste mês falamos sobre os aspectos históricos e geográficos dos índios conhecidos como Umutina, cujo contato oficial foi feito no início dos anos de 1911, por ocasião da instalação da rede de telégrafo pelo Marechal Rondon. Ressaltamos o impacto social e cultural deste processo de colonização implementado no governo na época cujo lema era ocupar os "espaços vazios" com a exploração e assentamentos de colonos no interior do Brasil.

Com base em relatos dos sertanistas e viajantes estrangeiros que acompanhavam estas expedições, é que temos conhecimento de aspectos intrigantes e relevantes do cotidiano dos indígenas nesta fase de contato com os não indígenas. Foram essas pessoas que registraram por meio de cartas, relatórios, desenhos e diários o dia a dia naquela época e nos possibilita hoje entendermos e sabermos como viviam esses povos e as mudanças que passaram ao longo de décadas após o contato frequente com a sociedade envolvente.

Um dos viajantes que fez importantes anotações referentes ao povo Umutina por ocasião do início do contato em meados do ano de 1940 foi Harald Schultz, ectiólogo e etnógrafo. A respeito da criação e dos costumes das crianças ele deixou registrado que os filhos eram amamentados por mais de um ano ou até que a outra criança nascesse. Eram carregados por suas mães ou irmãs mais velhas em tipoias feitas de casca ou algodão tecido. Quando a criança estava maior eram levadas enganchadas no quadril. A Base da alimentação era o leite materno e posteriormente o beiju amolecido, batata-doce amassada, mingau de milho e mais tarde com o nascer dos dentes peixe cozido e carne de caça. Outra prática cultural comum no núcleo familiar eram os filhos dormirem com os pais por longos anos.

Os filhos aprendiam os conhecimentos acompanhando os pais nas suas atividades diárias na roça, na pescaria, na caçada, na produção de artesanato ou na coleta frutos. O que atualmente denominamos de aprender fazendo, ou seja, os saberes eram transmitidos de uma geração para outra na mediada em que acompanhavam, observavam e ajudavam os pais em atividades como carregar cestos, objetos, lenha, entre outros. Ao atingir a idade de aproximadamente oito anos os meninos eram submetidos a iniciação com a perfuração do lábio inferior e a introdução de um pequeno objeto feito de uma raiz existente na região.

Quando atingiam a puberdade os meninos eram novamente submetidos a um rito de passagem, ou seja, deixavam de ser crianças e passavam a ser homem, sendo aceito no grupo social com o status de adulto. Nesta ocasião era realizada uma festa, com a participação da comunidade que legitimava esse momento e o adolescente recebia uma vestimenta como uma tanga e recebia flechas de presentes dos parentes, como nos relata Harald Schultz em suas anotações sobre o povo Umutina.

Elias Januário é educador, antropólogo e historiador, escreve às sextas-feiras em A Gazeta. E-mail: eliasjanuario@terra.com.br

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