Rumos opostos | Gazeta Digital

Sábado, 03 de fevereiro de 2018, 00h00

Rumos opostos

Jairo Pitolé Sant"Ana


Momentaneamente, fiquei confuso ao assistir ao vídeo da entrevista, com duração de 13 minutos e meio, do presidente Michel Miguel Elias Temer Lulia (nenhum parentesco com o ex-presidente) ao veteraníssimo apresentador e animador de auditório Silvio Santos, domingo passado, para defender sua proposta de reforma da Previdência Social.

Mas logo me dei conta de que era uma diferença de parâmetros. Foi quando o apresentador, durante os elogios de praxe (dizem que o governo federal gastou, de 2016 para cá, R$ 103,6 milhões apenas com agências de propaganda para criar campanhas sobre o tema), elogiou a queda das taxas de juros.

Na verdade, ele analisava a situação como grande investidor, referindo-se, portanto, à taxa Selic, cujo percentual é definido pelo Banco Central, usada nos empréstimos interbancários, nos investimentos em títulos públicos federais e na remuneração da caderneta de poupança e de outras aplicações financeiras. Esta, de fato, caiu. Só no ano passado, foi reduzida pelo Conselho de Política Monetária (Copom) do BC de 13,75% para 7% entre janeiro e dezembro.

Eu, por outro lado, estava focado em outra taxa de juros, a praticada no dia a dia da maioria dos consumidores. Ou seja, a taxa do cheque especial, do cartão de crédito, dos financiamentos bancários e das compras parceladas. Estas, ao contrário, subiram. Debita-se o fato dos bancos tomarem dinheiro emprestado pela Taxa Selic, mas emprestarem por uma taxa muito (mas, muito mesmo!) superior, aos custos operacionais, aos riscos da inadimplência e ao lucro.

A diferença é abismal. Enquanto a mão que remunera oferece no máximo 7% ao ano, ou irrisórios 0,4% ao mês, como na caderneta de poupança, a mão que cobra é bem mais gulosa. Vai de 13,72% ao mês ou 377,71% ao ano. O devedor que, por acaso, ficar inadimplente por um ano, verá sua dívida crescer quase quatro vezes em relação ao valor original.

Faltou combinar Na entrevista, Temer alegou (sem mencionar os grandes devedores) que o rombo atual da Previdência é de R$ 189 bilhões, subindo para R$ 220 bilhões em 2019. Mas, o "São Google" dá outros valores, quando pesquisado. Seria de R$ 268,7 bilhões já 2017. Mas, considerando apenas o INSS, cai para R$ 182,4 bilhões. Mesmo assim, os números não batem. A não ser que em apenas um mês tenha subido R$ 7 bilhões, mas aí o aumento seria de R$ 84 bilhões, o que também não bate.

Jairo Pitolé Sant"Ana é jornalista em Cuiabá, sócio da Coxipó Assessoria de Imprensa. E-mailcoxipoassessoria@gmail.com

Gazeta Digital também está no Facebook, YouTube e Instagram   



Aguarde! Carregando comentários ...


// leia também

Sábado, 24 de fevereiro de 2018

11:02 - Sobre a intervenção no Rio e as amizades

10:30 - Os perfis para as urnas

00:00 - Inovar atrapalha a mente

00:00 - Consciência cidadã

00:00 - Marketing e comercial

00:00 - Artimanhas

00:00 - Baixa escolaridade

Sexta, 23 de fevereiro de 2018

00:00 - Segurança, a bala de prata de Temer

00:00 - Intervenção federal, o último capítulo

00:00 - Ritual do corte de cabelo


 ver todas as notícias
Cuiabá, Sábado, 24/02/2018
 

Facebook Instagram

Fogo Cruzado
titulo_jornal Sábado, 24/02/2018
116961967de356eee6ddd02c7d0c8fb3 anteriores



Indicadores Econômicos

Mais Lidas Enquete

Lei municipal permite que ruas sem saída em Cuiabá sejam fechadas por moradores




Logo_classifacil









Loja Virtual