Vaidade e vontade do casal | Gazeta Digital

Segunda, 05 de fevereiro de 2018, 00h00

Vaidade e vontade do casal

Rosana Leite Antunes de Barros


Muito se ouve falar das vaidades que rondam a existência terrena. Até onde elas conseguem ir? Quando se cuida de casais, é possível perceber que as vontades e vaidades masculinas conseguem sobrepujar.

Suzana Werner, atriz, deixou o seu mister, no auge da carreira no Brasil, para seguir o marido, jogador de futebol, mundo afora. Em Portugal se estabeleceram. Lá, fincaram raízes, a ponto dela, o filho e filha, não poderem sair daquele país do dia para a noite. Tornou-se empresária por lá, adquiriram bens, os filhos passaram a estudar naquele país. Pois bem.... De uma hora para outra, como se normal fosse, o marido resolve terminar a sua carreira no mesmo time de futebol brasileiro que havia começado. E a família que o acompanhou, como fica? Não houve prévia conversa com a esposa sobre a decisão que tomaria, tão pouco com os rebentos. A determinação foi tomada sem qualquer conversa anterior. Isso é normal?

Não seria natural qualquer atitude que viesse a trazer desconforto ou cisão familiar. O que se percebe, desde sempre, são mulheres, filhos e filhas, seguindo o destino do homem. A família se anula, com a finalidade de adotar o programado por apenas uma das partes: o homem. E quando se teima em discutir, o relacionamento familiar pode sucumbir...

O mais curioso é que, às vezes, a mulher se culpa por não poder seguir à risca o determinado unilateralmente pelo gênero masculino. A análise é antiga, desde os tempos remotos, quando apenas o homem laborava fora de casa. E quando aportava ao lar, precisava de descanso, logo, sem qualquer barulho, ainda que tenham filhos menores. Por ser o único que trazia o dinheiro para o sustento familiar, aos finais de semana, todos e todas deveriam seguir tudo por ele determinado. A companheira acaba sem poder escolher as amigas com as quais deseja se relacionar, porquanto, devem ser amigas das parceiras dos amigos dele. Ele tem o total direito à "pelada", famoso futebol entre amigos. E ela, tem direito a quê?

Os presídios masculinos em dia de visita contam com inúmeras mulheres à espera da famigerada visita aos parceiros. E as cadeias e presídios femininos, em dia de visita, contam com filas intermináveis de homens para visitar as suas "amadas"?

É perceptível o quanto as mulheres deixam as suas vontades para atender a dos parceiros, mesmo em tempos atuais. A balança fica extremamente desequilibrada. E sem que a própria família se dê conta da problemática. É claro que existe exceção...

Vislumbramos por muitas décadas, mulheres que, sequer, podiam conversar dentro do lar. Após, passou-se a ouvi-las, mesmo que as atender não seja a realidade esperada. A mulher ganha o mercado de trabalho, fazendo parte da população economicamente ativa. Hoje o respeito é imenso ao trabalho da mulher dentro e fora de casa. Porém, algumas situações não foram suplantadas pelo lapso temporal. A sociedade e o direito ainda não conseguem alcançar os preconceitos sociais...

A mulher continua sendo questionada e julgada quanto à criação dos filhos e filhas. E mais, são culpadas quando algo dá errado. Pesquisa mostra que os homens que contribuem para o trabalho do lar gastam em média 9 horas semanais, contra 23,5 horas demandadas por elas.

No caso da atriz e do jogador de futebol mencionado, não há que se falar em vulnerabilidade extrema da mulher. Como tratar a isonomia do casal exemplarmente, quando a figura "cabeça do casal" teima em se fazer presente?

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual.

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