O alfaiate de Ulm | Gazeta Digital

Quarta, 07 de fevereiro de 2018, 00h00

O alfaiate de Ulm

Renato Gomes Nery


Este é o título do livro do ativista político italiano Lucio Magri, lançado pela Boitempo Editorial 2014, no Brasil. Este livro trata da criação, ascensão e extinção do Partido Comunista Italiano (PCI). Com o surgimento do neoliberalismo, com a queda do regime comunista na Rússia, o PCI fechou as portas deixando ao relento os seus membros e seguidores. Afirma o autor (pág.16) que no final da década de 80: "Em três congressos sucessivos, chegou à conclusão de que deveria dar por acabada a experiência e a fase histórica que lhe dava razão. A capitulação ideológica foi sem paralelo".

Com a capitalização da China, estava encerrada a gloriosa história do comunismo no mundo que ainda sobrevive em pequenos nichos em Cuba e Correa do Norte. O livro ao mesmo tempo em que encerra o ciclo do PCI, deixa no ar a esperança que de que o comunismo voltará, lançando mão do poema de Bertold Brecht, do mesmo título deste artigo, que conta a história de um alfaiate que, nos tempos de Leonardo da Vinci, munido de asas tentou voar. E o Bispo que foi comunicado da experiência responde ao alfaiate: "É uma mentira deslavada! Isso é para pássaros/ O homem nunca voará". O alfaiate estatela no chão e morre ao tentar, com asas postiças, voar a partir da torre de uma igreja.

O comunismo, como o homem que não voava e hoje voa, voltará novamente um dia? É pouco provável! Os convictos e apaixonados acreditam religiosamente que sim. Alguns deles ainda padecem de anacronismo e autoritarismo, não aceitam opiniões em contrário e ainda coloca no Index quem não comunga com os seus credos.

Convivi com alguns destes personagens que não falam mais comigo por que não sou muito condescendente com eles, suas ideias e crenças. A um deles em especial eu dei de presente o livro Esquerda Caviar Rodrigo Constantino Editora Record - e ele cortou toda e qualquer relação, e não falou mais comigo, sequer agradeceu, por gentileza, ao presente. Outros e muitos outros (com as exceções devidas), que não toleram ideias contrárias a deles, simplesmente, me viraram as costas.

A esquerda que assumiu o poder no Brasil é autoritária e infensa a crítica. Não aceita o revezamento plural e democrático do poder. E queriam a peso de corrupção implantar no Brasil um reino de 1.000. Deu no que deu!

Portanto, esta esquerda rançosa, autoritária e antidemocrática que temos por aqui dificilmente sairá do chão. Se existe, ao menos por hipótese, alguma chance para o comunismo certamente não será aqui. Ressalte-se que tanto na Itália como na URSS além da solidez de ideais, programas e propósitos, não havia a corrupção como componente e, mesmo assim, as coisas ruíram.

Que fiquem onde estão! De onde nunca deveriam ter saído. A experiência foi catastrófica e o País ainda levará muito tempo para curar as feridas dos desmandos e dos desatinos praticados ao longo de quase 14 anos de uma experiência cruel.

Renato Gomes Nery é advogado em Cuiabá. E-mail rgnery@terra.com.br

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