Carnaval versus morte | Gazeta Digital

Quinta, 08 de fevereiro de 2018, 01h30

Editorial

Carnaval versus morte

Da Editoria


É terrível dizer, mas o Carnaval não acaba bem para muita gente. A mistura de álcool com mais alguma coisa, muitas vezes, pode ser fatal. Não se trata apenas de álcool e volante, que mata várias pessoas pelo país afora.

Mais sem dúvida este é um dos assuntos mais falados. Para tentar reduzir os acidentes, as polícias deflagram todas as operações possíveis. São policiais Rodoviários Federais (PRF) nas BRs, Polícias Militar e Civil nas rodovias estaduais e dentro das cidades. O problema é que muitos cidadãos ainda não entenderam que o carro vira uma "arma de grosso calibre, municiada e destravada" quando é conduzido por alguém embriagado. Ou entenderam sim, pois já cansaram de ver bêbados matando pessoas inocentes, como ocorreu em Cuiabá com um idoso que aguardava uma policlínica abrir para marcar um exame quando foi atingido por um carro e morreu no local. Mas estas pessoas continuam pegando a arma e mirando para a sociedade. Mesmo "disparando", muitos não são indiciados por homicídio doloso, deixam a prisão rápido, isso quando presos. Um estímulo à bebedeira sem fim.

Outra mistura extremamente perigosa é o álcool e a cocaína, que pode ser de três a cinco vezes mais perigosa do que cada substância separada. Juntos, podem prolongar a euforia, como também as convulsões e prejuízos no fígado e no sistema imunológico. E o Carnaval também é conhecido como a época de abuso das drogas. Além de colocar a vida em risco é bom saber que cada usuário ajuda manter o tráfico de drogas, responsável por centenas de assassinatos todos os meses no Brasil.

E o que dizer do sexo sem responsabilidade, do sexo sem camisinha. O preservativo ainda continua sendo negligenciado por grande parcela da população brasileira. Jovens que acreditam que isso não vai acontecer com eles. É tolice imaginar que o HIV só infecta homossexuais ou pessoas de classes mais baixas. O vírus está espalhado pelo país, pelo mundo. Para se ter uma ideia, em Mato Grosso, de 2012 a 2017, o número de mato-grossenses infectados pelo vírus do HIV aumentou 255,5%, passando de 186 para 640.

Além da Aids, existem várias outras doenças sexualmente transmissíveis ou que são transmitidas pelo ar que ameaçam os foliões. Para citar alguma, tem a hepatite, meningite, tuberculose, conjuntivite.

Em Mato Grosso ainda há o alerta para as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Mesmo com a folia de "Momo" não dá para relaxar com os cuidados. Não deixem latinhas de cerveja, suco ou refrigerante jogadas em qualquer lugar, pois são ambientes perfeitos para juntar água e se transformar num criadouro do Aedes. Um dos municípios mais preocupados com a dengue, zika e, principalmente a chikungunya, é Várzea Grande, onde a promessa é que a operação contra a dengue terá continuidade mesmo durante as festas carnavalescas.

Por fim, o recado é, aproveite a festa com muita responsabilidade, afinal o carnaval é a cara do Brasil. É muito samba, é muito requebra, é muita alegria. O mais importante é se cuidar e respeitar o próximo. Não deixar os índices de violência subir já seria uma grande contribuição para nossa sociedade, que precisa se unir para fazer as coisas mudarem. Com estas dicas é bem provável que o Carnaval vai terminar muito bem.

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