Santo Cerrado | Gazeta Digital

Sábado, 10 de fevereiro de 2018, 00h00

Santo Cerrado

Da Editoria


O Cerrado é um dos biomas mais antigos e com maior biodiversidade do mundo. Começou a se formar há pelo menos 40 milhões de anos e abriga centenas de espécies animais e vegetais que só existem em suas áreas.

É o segundo maior bioma da América do Sul, ficando atrás apenas da Amazônia. No Brasil ocupava originalmente uma área de 2.038.953 de km2, abrangendo dez estados da região central do país.

O Cerrado tem papel primordial na distribuição das águas que abastecem boa parte do Brasil. É nele que nascem vários dos rios que integram seis das principais bacias hidrográficas brasileiras - Parnaíba, Paraná, Paraguai, Tocantins-Araguaia, São Francisco e Amazônica -, e mais de cem espécies diferentes de frutas, das quais apenas 40 são exploradas comercialmente.

No entanto, o equilíbrio desse rico ecossistema está ameaçado pelo avanço da agricultura em larga escala. A vegetação natural e as árvores presentes no bioma - entre as quais buriti, pequi, jatobá e baru - deram lugar às lavouras de soja, milho, algodão, feijão, arroz, que não têm a mesma função ecológica. Do ponto de vista ecológico, a troca de árvores por herbáceas, é devastador.

Hoje, restam apenas 20% da área total, ou 1.052.708 km2, sendo que 85.074 km2 (4,18% do total) foram destruídos entre os anos de 2002 e 2008, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o relatório Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS).

Os estados que apresentaram, em termos absolutos, maior área desmatada naquele período foram Mato Grosso (17.598 km2), Maranhão (14.825 km2) e Tocantins (12.198 km2) e, em termos relativos, Maranhão (6,99%), Bahia (6,12%) e Mato Grosso (4,90%).

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, cerca de 20% das espécies de plantas e animais exclusivas ao bioma já foram extintas, e ao menos 137 espécies de animais da região correm o risco de desaparecer.

A ameaça ao bioma começou a partir dos anos de 1970, quando o Cerrado tornou-se a principal área de produção de grãos no país, o que trouxe ganhos econômicos ao país e um grande passivo ambiental, pela introdução de espécies invasoras, uso de agroquímicos e gases do efeito estufa.

Boa parte das últimas áreas de Cerrado se encontra na região conhecida como Matopiba (que engloba trechos do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) - considerada uma das últimas fronteiras agrícolas do país.

Ninguém está aqui defendendo que a agricultura comercial seja banida do Cerrado, afinal ela gera renda, emprego, movimenta a economia e pode elevar o Brasil a uma condição estratégica como fornecedor de alimento para o mundo. Entretanto, há que se considerar a existência de inúmeras tecnologias. Muitas delas extremamente eficientes para evitar a abertura de novas áreas, sem que haja perda de produção e ainda com crescimento de produtividade, sem que haja aumento de custos.

A sustentabilidade em todas as suas vertentes - ambiental, econômica e social - precisa, mais do que nunca, estar presente também no agronegócio. É possível e perfeitamente viável. Tanto que já existem iniciativas que adotam estes princípios.

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