Para o consumidor, nada | Gazeta Digital

Domingo, 11 de fevereiro de 2018, 00h00

Para o consumidor, nada

da editoria


Na última semana a Petrobras anunciou mais uma redução dos valores da gasolina e do diesel combustível, já tida como a maior deste ano. Os novos preços, segundo a empresa, ficaram, respectivamente, 3% e 2,6% mais baratos nas refinarias. Isso mesmo, nas refinarias. No bolso do consumidor, essas e outras reduções anunciadas no site da empresa raramente chegaram.

A Petrobras mostra, diariamente no site, o valor dos preços praticados nas refinarias, o que torna possível constatar que, de 29 de dezembro do ano passado a 9 de fevereiro, foram feitos 29 anúncios de preços nas unidades de refino. No que se refere à gasolina, foram 15 anúncios de queda e 14 altas de preços. Já o diesel teve 14 reduções e 15 aumentos de valores. Esta última redução, portanto, é a maior desde o final do ano passado.

É intrigante perceber que essa política de preços não reflete na hora de abastecer o carro e acaba impactando diretamente no bolso do consumidor, sempre o principal penalizado quando o assunto é reajuste de preços, seja lá do que for. Não está muito distante o tempo em que o preço do pão francês, carinhosamente chamado pelos brasileiros de pãozinho, era observado diariamente por economistas e donas de casa e as suas oscilações influenciavam diretamente no preço dos alimentos, consequentemente, na vida de todo brasileiro, independentemente da classe social.

O presidente Michel Temer classificou como "uma agressão ao consumidor" o fato de as reduções de preço anunciadas pela Petrobras não serem repassadas às bombas e pediu providências, como uma investigação conjunta por parte da Polícia Federal e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Na mira estão os postos de combustíveis espalhados pelo país. O objetivo é fazer com que essa nova política implementada pela estatal tenha reflexos diretos no bolso do brasileiro, já que o preço do combustível impacta em outros produtos e serviços básicos.

Não será a primeira vez que o Cade age em cima da formação dos cartéis que surgem quando empresas concorrentes fazem um acordo ilegal para a fixação de preços. Em 12 dos 17 casos de práticas ilícitas no mercado de combustíveis investigados desde 2012 houve a condenação de postos, a maioria pelo crime mencionado acima. Atualmente a investigação também abrange, além dos postos, as empresas de gás.

Em sua fala demandando providências, o presidente Temer citou o gás de cozinha como outro vilão dos bolsos do trabalhador. Os aumentos sucessivos no ano passado viraram manchete nacional. Com aumentos de preço, sofrem todos, mas o brasileiro de baixa renda é o maior impactado porque é para ele que o gás de cozinha tem um efeito muito maior.

Autoridades palacianas detectaram que o tabelamento é uma prática que também atinge esse produto e, portanto, a investigação precisa ser estendida. Resta saber (e esperar) que essa ação seja eficaz a ponto de inibir, o quanto antes, a prática da fixação conjunta de preços e leve à redução a quem está na ponta, quem consome o produto e paga ainda muito caro por isso.

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