Alegria e pânico | Gazeta Digital

Quinta, 15 de fevereiro de 2018, 01h30

Editorial

Alegria e pânico

Da Editoria


Cores, fantasias, alegria e muita música. Em alguns pontos da cidade a euforia do Carnaval fez com que muita gente se esquecesse, mesmo que por poucas horas, dos problemas cotidianos, inclusive da violência. Mas em outros lugares, outras pessoas viveram momentos de pânico, terror, tragédia, ao som de disparos de armas de fogo. Assim foi o Carnaval em Cuiabá, no Rio de Janeiro e em tantas outras cidades do Brasil. Cidades onde a violência virou uma tragédia cotidiana, que estratégias de segurança nem sempre são capazes de vencer as facções criminosas ou até mesmo os arrastões.

As imagens da violência no Rio de Janeiro rodam o mundo e há inúmeras recomendações dos países para turistas que decidem viajar para o Brasil. A indicação é para que não façam a viagem, afinal os relatos são de latrocínios e muitos roubos. Neste carnaval, muito se viu disso. E o governo do Rio, que já chegou a culpar a imprensa pela violência lá, admitiu que falhou na estratégia de segurança.

Em Cuiabá, a Terça-Feira de Carnaval deixou os moradores novamente em pânico. A invasão à unidade de saúde, feita por homens fortemente armados, quando um presidiário era atendido, deixou cinco pessoas baleadas, inclusive um bebê que aguardava atendimento. Lembrou cenas do próprio Rio de Janeiro. Não que a capital de Mato Grosso não tenha violência, mas os criminosos estão cada dia mais audaciosos, agindo como as facções criminosas, mostrando que quando presos, os bandidos só deixam de ir e vir, mas o "negócio" do crime continua girando.

Para a população sempre resta a sensação de insegurança. Na manhã de ontem a unidade de saúde, onde houve o tiroteio, foi reaberta, mas imaginem a sensação para quem trabalha naquele local. Para as enfermeiras, sendo que uma colega de trabalho foi atingida. Para os pacientes, sendo que três foram feridos. Quem terá paz? Com certeza vai demorar tempo para que esta história seja esquecida e, principalmente, para que as cenas e os barulhos dos disparos saiam da memória de quem presenciou tudo aquilo.

Se já não bastasse uma saúde deficitária, onde as pessoas ficam horas aguardando para receber atendimento, meses implorando por medicamento, anos esperando uma cirurgia, agora se deparam com a violência física dentro das unidades. É desumano. É inaceitável.

É claro que Estado e Município iniciaram discussões para garantir mais segurança no atendimento à saúde aos presidiários, para que a população não fique mais exposta. Mas daí é preciso não deixar cair no esquecimento o que ocorreu nesta terça-feira, para que as mudanças realmente sejam implantadas e não fiquem apenas nas estratégias do calor do momento.

Aquelas poças de sangue no chão da UPA precisam trazer, além da dor aos feridos, do medo aos pacientes e funcionários, uma alternativa real de combate à violência. Aquelas poças de sangue precisam ser a marca final do avanço da violência. Facções criminosas estão escrevendo nos muros, com a mesma cor do sangue, suas iniciais, marcando território, impondo presença. E é isso que a segurança precisa encerrar. As forças de segurança têm que ser mais fortes, mais respeitadas, mais eficazes. Que aquelas marcas de sangue sirvam de exemplo do que eles (criminosos) são capazes de fazer, passando por cima de qualquer um, não importa idade, não importa relação. Que a segurança lute para que marcas assim não sejam mais permitidas, não sejam mais vistas, não sejam mais possíveis.

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