Turismo, violência e carnaval | Gazeta Digital

Sábado, 17 de fevereiro de 2018, 00h00

Turismo, violência e carnaval

Jairo Pitolé Sant"Ana


Enquanto algumas cidades europeias cultivam a turismofobia, por causa do excesso de visitantes a incomodar seu modo de vida, no Brasil a própria realidade já espanta o turista estrangeiro. Apesar da imagem de paraíso tropical, da democracia racial e da cordialidade brasileira vendida ao mundo, o país é quase um mero figurante no quesito destino turístico.

Segundo a Organização Mundial de Turismo, em 2013, quando recebeu míseros 5,8 milhões de visitantes (se comparados aos mais de 1 bilhão de turistas internacionais computados anualmente), o Brasil ocupava a 41ª posição do ranking mundial de destinos turísticos mais procurados. Houve até um pulinho em 2016, ano das Olimpíadas, quando 6,6 milhões de estrangeiros estiveram principalmente no Rio de Janeiro, mas nada que alterasse esta posição.

Com raras exceções, muitos não se arriscam a encarar, de frente, a violência brasileira, ser vítima de uma bala perdida ou direcionada, a não ser o próprio brasileiro, o que não pode fugir pra Miami.

Os números, sempre hiperbólicos, se escancararam nas telas da TV neste Carnaval, especialmente o carioca, ícone maior da folia nacional, com arrastões, tiroteios e roubos praticados à luz do dia. Os arrastões, principalmente, vêm se repetindo desde 2015, após ficar em banho-maria por duas décadas (desde 1992 e seu "verão do arrastão"). Como a tuberculose e a febre amarela, estão de volta.

Gestores não só fazem cara de paisagem como se eximem de qualquer responsabilidade. Tudo continua como sempre neste Brasil quase imutável. Mudanças até que acontecem, mas sem a solidez necessária para serem contínuas. Na primeira oportunidade, se esvaem com fumaça.

Mas, nem tudo são flores para os escribas da história oficial. Há sempre os desmancha-prazeres de plantão, como aconteceu neste Carnaval. Não só pelas críticas dos blocos de rua, cuja característica é sempre a irreverência. As escolas de samba cariocas também não perdoaram, como a campeã e a vice-campeã deste ano.

Enquanto a Beija-flor veio com "Monstro é aquele que não sabe amar! Os filhos abandonados da Pátria que o Pariu", a desconhecida Paraíso do Tuiuti lembrou os 150 anos da Abolição da Escravatura e questionou: "Meu Deus, Meu Deus, está extinta a escravidão?", com críticas à reforma trabalhista e da Previdência, além, óbvio, da violência imperante no país. Pena que este barulho não perturbe o sono de quem, realmente, deveria.

Jairo Pitolé Sant"Ana é jornalista em Cuiabá. Sócio da Coxipó Assessoria de Imprensa. E-mail coxipoassessoria@gmail.com

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