Um propósito para o Facebook | Gazeta Digital

Segunda, 19 de fevereiro de 2018, 00h00

Editorial

Um propósito para o Facebook

Da Editoria


O Facebook é bom para o mundo? É o que o próprio Facebook quer saber por meio de uma pesquisa lançada recentemente na rede social convidando as pessoas a responderem a pergunta. Uma das redes sociais mais famosas do planeta, o Facebook enfrenta uma crise de imagem após a difusão de uma série de notícias falsas e até mesmo denúncias de manipulação dos resultados das eleições dos Estados Unidos que colocaram o pirotécnico Donald Trump dentro da Casa Branca.

Em uma tentativa de reverter a crise e melhorar a própria imagem, o Facebook colocou a pesquisa no ar. Só falta ganhar a adesão dos usuários. Muita gente, ao se deparar com a pesquisa, se pergunta sobre a veracidade da mesma e, mais importante, se questiona sobre como a empresa irá utilizar essa informação. Parece que chegou a hora de fazer algo urgente para apagar esse "arranhão". A relação entre o Facebook e o usuário - só no Brasil são mais de 47 milhões, colocando o país em segundo lugar, atrás apenas dos EUA - é como um casamento que, vez ou outra, precisa ser revisto e discutido com honestidade e a vontade de fazer dar certo.

O Facebook é a rede social mais popular da história e alcançou um sucesso meteórico desde que surgiu, no início dos anos 2000, como um livro que passava de mão em mão entre os calouros de universidades americanas para que eles conhecessem melhor os colegas na instituição por meio das informações compartilhadas. Entre estes estudantes estava Mark Zuckerberg, estudante de computação de Harvard que, apesar de ter contado com a ajuda de outros colegas, entre eles o brasileiro Eduardo Saverin, acabou levando a fama de "pai" do Facebook, além da fortuna trazida a reboque com o sucesso da ferramenta.

O que era para ser um software para classificar pessoas mais ou menos atraentes, se transformou em um site de poder e alcance inimagináveis que reúne hoje centenas de milhões de pessoas ao redor do mundo. Mas, ao contrário do que o próprio Zuckeberg imaginava (e pretendia), o Facebook, falhou em unir as pessoas. Apesar do imenso nível de conectividade e abertura da rede, o mundo ainda é bastante dividido, diz Zuckeberg em uma espécie de mea culpa

Não foi um tiro no pé, mas é frustrante constatar que a popularidade das redes sociais não levou a um mundo aberto e unido, como seria de se esperar. A impressão que se tem é que, quanto mais se entra em contato com o diferente, o novo, o outro, mais o ser humano tende a rechaçar aquilo que, segundo as próprias convicções, não está dentro do seu parâmetro de aceitável. É um etnocentrismo burro e cego que reforça sentimentos de superioridade e preconceito a ponto de levar o Facebook a ser reavaliado na sua condição de "democratizar" o planeta.

Estamos em ano eleitoral e é de se esperar que o Facebook seja uma importante plataforma para debater o assunto. Mas, assim como aconteceu em 2014 a rede social deve, mais uma vez, dividir eleitores em lados opostos - direta e esquerda, pro e contra, bom e mau - e desperdiçar uma chance única de se tornar um local de informação e esclarecimento. A cruzada contra as fake news traz um pouco de esperança ao nível de debate. Resta esperar para ver se o comportamento dos usuários acompanhará o propósito de elevar a conversa e fazer com que as redes sociais cumpram o seu papel inicial, o de unir ao invés de separar.

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