Vieses inconscientes | Gazeta Digital

Quinta, 22 de fevereiro de 2018, 01h30

Vieses inconscientes

Cris Kerr


Por pior que possa soar, uma coisa é fato: todos nós somos preconceituosos e temos diversos vieses inconscientes, e isso afeta diretamente o nosso dia a dia. Para tentar fugir dessas conexões, precisamos entender como elas impactam a nossa vida pessoal e profissional e como influenciam as nossas crenças.

Frases como "Meninos são fortes e não podem chorar. Só as meninas choram"; "Isso é coisa de mulherzinha"; "Ele é gay, mas nem parece, ele se veste igual a todo mundo"; "Você é tão linda, nem parece negra" são alguns exemplos de estereótipos que estão associados ao preconceito. E, infelizmente, ainda hoje esses comentários estão sempre presentes em nossa rotina e muitos deles são levados para o ambiente de trabalho, impactando negativamente a diversidade, mesmo que não haja intenção.

E aí que entra o conceito de Viés Inconsciente, que vem da neurociência e pode ser traduzido como preconceito inconsciente, já que é baseado nas nossas preferências e não ocorre de forma intencional.

Explicando mais detalhadamente, nosso cérebro tem que lidar com milhares de informações por segundo e, para que consiga dar conta de tudo, ele procura por padrões que considera mais importantes e cria atalhos para reconhecê-los, como um piloto automático. No entanto, esses atalhos têm uma desvantagem: são tendenciosos. Isso porque são adquiridos com base da nossa história de vida e nos nossos aprendizados. Assim, toda essa vivência forma as nossas crenças, e é este sistema de crenças que define e afeta o nosso comportamento.

Por isso, preferimos pessoas que se parecem mais conosco, pois criamos uma rápida conexão. Da mesma forma que temos uma forte tendência a nos afastar de pessoas que são diferentes ou com as quais criamos um preconceito inconsciente.

Daí a importância de as empresas realizarem treinamentos de Viés Inconsciente para trazer este tema para a consciência e assim diminuir os impactos negativos desses pré-conceitos dentro do ambiente corporativo. A pesquisadora do Insper, Regina Madalozzo, em um estudo destacou os 5 principais Vieses Inconscientes que podem influenciar negativamente as escolhas dos líderes e gestores em processos de decisão nas empresas.

Viés de Afinidade é a tendência de avaliar melhor as pessoas que se parecem com a gente. Esta afinidade pode se dar de diversas formas, como gênero, raça, faculdade, hobby, etc. Este viés nos faz selecionar, contratar e promover pessoas parecidas conosco, por isso é um dos motivos porque a maioria da liderança é formada por homens e brancos.

Viés de Percepção é a tendência de acreditar e reforçar estereótipos sem base concreta em fatos. É quando ouvimos "não podemos promover uma mulher para este cargo pois ela não vai dar conta" ou "não temos profissionais com deficiência competentes e com boa formação acadêmica".

Viés Confirmatório é a tendência de favorecer as informações que confirmam nossas crenças. Ou seja, nós só enxergamos o que queremos ver. Você teve uma relação ruim trabalhando com um chefe espanhol. Em uma outra oportunidade de trabalhar com uma pessoa da mesma nacionalidade, você vai inconscientemente resgatar essas más recordações e vai acreditar que trabalhar com pessoas dessa nacionalidade será sempre ruim.

Viés de Efeito Halo ou Auréola é a tendência de superestimar uma pessoa baseada em apenas uma característica ou informação positiva. Durante uma entrevista você percebe um traço positivo no entrevistado, inconscientemente você cria uma afinidade com ele e passa a ignorar os traços negativos.

Viés de Efeito de Grupo é a tendência de seguir o comportamento do grupo para não desviar do padrão existente. E esse padrão é muito perigoso nas corporações, pois, muitas vezes, ele não faz sentido. É o famoso "todo mundo faz assim". Todos discordam de um ponto na reunião, mas alguém que lidera o grupo diz que concorda e todos mudam de opinião e passam a concordar com este líder. Ou algumas pessoas começam a se vestir de uma forma e todos aderem a forma de se vestir desse grupo para se sentirem acolhidos pelo grupo.

Cris Kerr é palestrante, especialista em diversidade, empoderamento feminino e familiar

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