Inovar atrapalha a mente | Gazeta Digital

Sábado, 24 de fevereiro de 2018, 00h00

Inovar atrapalha a mente

Rapphael Curvo


Qualquer dirigente no mundo, desde aqueles dos países mais sofridos como o Haiti, tem perfeita consciência de que está na educação a saída para o crescimento de uma Nação. Todos sabem, mas nenhum deles dos países que formam o bloco do terceiro mundo, tomam qualquer atitude técnica e de espírito inovador para resolver o subdesenvolvimento que passam com enorme sofrimento para a população. Isso tem motivação em pontos bem visíveis, que se integram, na incapacidade de realizar qualquer programa voltado à evolução dos governados e na incompetência de gerir tal ação como meta política. Isto exige um programa de alta dose de altruísmo e essa ação é frontalmente contra o comportamento egoísta e soberbo dos que chegam ao Poder. "Dê Poder ao homem e você saberá quem ele é".

O que o Brasil tem passado na educação, após os anos 70, é algo muito sério. Fizeram da educação milhares de cabides de empregos com a contratação de inúmeros professores despojados de mínimos conhecimentos pedagógicos e, com isso, veio a derrocada da educação brasileira que não teve outro fim senão àquele de cooptar votos. Apesar disso, continuamos nos afundando neste poço sem fim da inconsequência da administração pública com várias gerações e com a vida, presente e futura, de todos brasileiros. Os dados são impressionantes e não se vê uma resposta eficaz para isso. Sempre aparecem com "Plano Nacional da Educação", conhecidos como remendos para justificar e estabelecer sofás para assentar os egos dos intelectuais dos confortáveis gabinetes da ilha da fantasia, que é Brasília. São esses "Planos inteligentíssimos e sábios", para não dizer inúteis, que, por décadas, mantém o Brasil sempre nas últimas classificações de quaisquer testes de avaliação, tanto interna como externamente.

A inconsequência desses "Planos" é que provocam resultados negativos na evolução do nosso ensino. Todos os anos os índices de pesquisas apontam como é falha a administração da educação brasileira. As últimas pesquisas informam que 47% (dados de 2015, com estimativa de mais de 49% atualmente) dos alunos que entram nas universidades públicas abandonam o curso antes de terminar. É um enorme gasto que se joga na lata de lixo e com ele milhares de jovens. Nas universidades privadas chegam a 53%. Isso tem um fundamento concreto e inquestionável: a educação é apenas um trampolim político para candidaturas. Com a educação neste enorme fosso, não há como pensar em desenvolvimento, crescimento de um povo, de uma Nação. Nos países desenvolvidos desde cedo o estudante tem metas definidas e são estimulados a atingir objetivos. Até mesmo no esporte como incentivo a ser uma pessoa capaz e vitoriosa. Na sola do sapato do mundo, essa atitude é vista e entendida como concorrência, competição e não como uma mola propulsora ao conhecimento.

A nossa educação comete erros primários para um País que pretende fazer parte de um mundo desenvolvido. O maior deles está em ser permissivo com toda a situação que ocorre na aplicação de metodologias insanas, na elaboração de programas pedagógicos ineficazes, na violência dentro das salas de aulas, nos abandonos das escolas, das universidades e por aí vai. Pratica-se um erro que vem desde o ensino infantil. Não é ensinado para o estudante brasileiro o valor da educação e o que ela representará em sua vida. Inexiste uma conexão. Ele chega a universidade sem valoração do ensino. E vou mais à frente. Para o estudante, neste mundo de velocidade na comunicação, estudar perde sentido porque o seu modo de vida entra em conflito com o que lhe é transmitido em toda cadeia do ensino, mais grave ainda no ensino superior. Caso tivesse recebido informação desde a educação infantil, do que ela representa em sua vida, seria ele um elemento de transformação do ensino porque, intrinsecamente, estaria nele o germe da mudança pela sua exigência natural. O abandono das universidades e escolas tem muito disso, o desconhecimento do valor da educação.

Sempre escrevo que não teremos sucesso no aprendizado caso o Brasil insista, em razão da natureza de seus governantes, em manter a Educação atrelada a estrutura do Executivo. A Educação tem que ter independência administrativa e financeira e ser comandada por um conselho de Reitores com participação de representantes do governo. Ou será que inovar atrapalha a mente?

Rapphael Curvo é advogado, jornalista e escreve neste espaço aos sábados

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