Realidade violenta | Gazeta Digital

Quarta, 28 de fevereiro de 2018, 00h00

Editorial

Realidade violenta

Da Editoria


Conhecido no mundo todo por ser "um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza", como canta a música de Jorge Ben Jor, o Brasil tem vivenciado situações que estão retirando suas belas qualidades, e o pior, afugentando os estrangeiros que ainda sonham em conhecer o país e aterrorizando seus habitantes. O caos está espalhado por todos os lados. Depois dos escândalos políticos e econômicos, agora é a vez da tragédia social se tornar manchete dos jornais nacionais e internacionais.

Exemplo recente é a intervenção federal na segurança pública no Estado do Rio de Janeiro. A Cidade Maravilhosa, famosa por seu Carnaval, pelo Cristo Redentor, Corcovado, lindas praias e favelas - que se tornaram pontos turísticos - está tomada pela violência, que não poupa nem crianças, nem mulheres, nem idosos. Todos os dias, histórias trágicas são mostradas na televisão e contadas nos jornais e revistas de vários cantos do país. Chefes do tráfico e seus "soldados" enfrentam a Polícia fortemente armados e desafiam a inteligência da segurança pública a acabar com o crime organizado. Enquanto isso, quem sofre é a população, que fica no meio do fogo cruzado.

Mas, esta triste realidade não é exclusiva do Rio de Janeiro. O drama da sociedade com a ascensão da violência também está sendo vivido em Mato Grosso, onde diariamente tem se noticiado a morte de mulheres, assassinadas por seus namorados, maridos ou companheiros. Os crimes de feminicídio, como vêm sendo chamados os homicídios de mulheres praticados pelos ex-parceiros, têm assustado a população e intrigado estudiosos do assunto e autoridades públicas.

Por mais severa que seja a pena, já que trata-se de um crime hediondo, os homens envolvidos nessas histórias parecem não se preocupar com as consequências. E o terror vivenciado pelas vítimas, quando sobrevivem às ações de violência, as perseguem o resto da vida. Em Cuiabá, um caso que tem ganhado repercussão na mídia nas últimas semanas é a morte de uma jovem de 18 anos, que estava grávida de 7 meses. Havia saído de casa para se encontrar com uma pessoa e não voltou.O corpo de Viviane da Silva Ângelo foi encontrado em um lugar isolado próximo à Ponte de Ferro, na Capital.

Menos de duas semanas depois, outros 2 assassinatos que poderia estar relacionados à morte de Viviane passaram a ser investigados pela Polícia Civil. Uma das vítimas, supostamente, seria o mototaxista que levou a moça até o local. Vídeos que mostram a decapitação de 2 homens passaram a circular nas redes sociais na segunda-feira e, segundo dizem, seriam ações ligadas ao Comando Vermelho. E como se já não bastasse tanta morte, na madrugada desta terça-feira (27), mais 2 assassinatos foram registrados, desta vez de Kelves Gonçalves da Silva, 28, conhecido popularmente como Kelvinho, e de um comparsa. Foram mortos em confronto com a Polícia durante ação para prendê-los. Investigações apontam ainda a possibilidade de Kelvinho estar envolvido nas execuções por decapitação. Uma história de arrepiar e que até agora não se tem notícias sobre as verdadeiras motivações e nem dos corpos das vítimas decapitadas. O que a Polícia já informou é que Kelvinho é um dos criminosos envolvidos no sequestro de uma empresária da Capital em novembro passado e que estava foragido.

Histórias como essas são tão arrepiantes quanto às vivenciadas no Rio de Janeiro ou qualquer outra cidade do Brasil. A percepção da população é que a violência está vencendo a batalha e que as pessoas de bem terão que se trancar em casas com muros cada vez mais altos. Sem contar a violência no trânsito, que mata milhares de pessoas todos os anos.

Num país onde não há guerras, nem tragédias naturais como furacões ou terremotos, o que se vê é um número de mortes tão grande quanto de uma nação em guerra. Vidas que poderiam ser poupadas, mas que terminam quando cruzam o caminho de uma bala perdida ou em frente de um motorista bêbado, que insistiu em pegar o volante.

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