Solidão ajuda a repensar a vida | Gazeta Digital

Quarta, 28 de fevereiro de 2018, 00h00

Solidão ajuda a repensar a vida

Hélcio Corrêa Gomes


Há solidão por desconexão com o mundo ou por incapacidade de bem relacionar-se, que deve ser tratada na psiquiatria.

No restante, a introspecção mental, que não congelar a alma, mostra quem somos ou não somos. O que permite ser mais reflexivo e emotivo.

Na quietude nasce a inesperada ideia. Nesta abertura ao oculto, que se revela esporadicamente, se pode descobrir, que nem a gente mesmo se aguenta. E que é preciso mudar ou deixar de esbanjar só incômodo.

A incapacidade de estar só e feliz gera aflição e hostilidade gratuita contra tudo e todos.

Ao se perder a capacidade de fazer concessão se imiscui fácil na descoberta abusiva de fraqueza, defeito e erro do outro para julgá-lo. Tudo sem a possibilidade de absolvição.

Hoje tem escassez e não excesso de solidão.

Agita-se bem e entedia mais. A vida não precisa ser assim, mas na maioria das vezes acaba assim e desagradavelmente.

Há também solidão coletiva. Aquela das redes sociais com amigos apenas virtuais, por exemplo. Ou do dramático modo de conviver com colegas de trabalho pelo trabalho e isolado.

Relacionamentos são imprescindíveis por criar tolerância e bondade. Mas tal arte antiga parece ceder seu lugar à intolerância, prepotência, egocentrismo ou embrutecer geral.

Tem até sensação universal de desamparo ou de não pertencer a nada ou a ninguém. O que significa vazio existencial (optado), que se encontra centrado em todas culturas modernas.

Ansiedade, tensão, inquietação e infelicidade inútil se tornou a marca preferida do humano civilizado.

Estar só com diálogo interior tão bom não traz sofrimentos. Afinal, se aprende a respeitar aos outros ou compreendê-los. Dividir ideias, experiências, alegrias e principalmente compartilhar pesos e agradecer por tudo.

Estar só não é anormalidade. Doentio é ficar ridiculamente no infernal vácuo eternizado. Ou melhor, deixar que o tédio antecipe todo prazer.

A vida é para vivê-la e amar. Obstáculo é inevitável, mas sempre superável de algum modo.

A mente tem lápis color e gracioso para desenhar, redesenhar o plano da própria vida. Não há predeterminação, mas tão somente escolhas.

Gosto de pensar e me faz um bem danado, que a vida tem estoque de gentilezas e mimos. E que oferta nacos, merecidos ou não, em cada propício tempo vivencial, nem que seja junto ao último suspiro.

Tudo me parece não permitir sair da vida apenas infeliz. Nela há sutilezas e perspicácias inigualáveis. E é muito mais rica do que se pode imaginar.

Basta abandonar superficialidades e futilidades, que se inova a alma, ofuscada por tantos desacertos, descasos e tolices.

Não vale a pena desperdiçar a vivência com inutilidades. Aqui se deve saber e direitinho, o que fazer para ser feliz.

Senão, basta ir acuradamente à introspecção mental para que se revelem os motivos primordiais para se estar no mundo. Depois, é só ter a galhardia de concretizar os desejos eleitos, assumindo a culpa (sozinho) ou acolhendo de bom grado as consequências.

Hélcio Corrêa Gomes, advogado.

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