Um olhar para os jovens | Gazeta Digital

Quinta, 01 de março de 2018, 01h30

Editorial

Um olhar para os jovens

Da Editoria


Entra governo e sai governo, fato é que os jovens nunca tiveram prioridade nos planos dos candidatos das mais diversas esferas políticas apesar de constarem nas plataformas de campanha, nos discursos, panfletos e nas tantas maneiras de pedir voto. As boas intenções ficaram sempre na retórica, apesar de os jovens serem cerca de 26% da população. E antes que as campanhas políticas comecem, de fato, vem aí mais uma tentativa, dessa vez saída do Legislativo. A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira, projeto que institui o Plano Nacional de Enfrentamento ao Homicídio de Jovens.

A proposta resume os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito do Assassinato de Jovens, que funcionou no Senado entre 2015 e 2016, mas passou despercebida de grande parte da população, apesar da importância do assunto. Visa, essencialmente, reverter os altos índices de violência contra jovens que são, segundo o Mapa da Violência 2016, 58% das vítimas de homicídios praticados com armas de fogo. Aos 20 anos de idade, a taxa de mortalidade por arma de fogo é de 67,4 mortes a cada 100 mil jovens. Em uma meta ambiciosa, o Plano Nacional quer chegar a um dígito a cada 100 mil habitantes no prazo de dez anos.

O foco de toda essa ação são os jovens negros e pobres, que lideram o ranking de mortes no país. Por isso o documento, que deve tramitar em caráter de urgência, prevê também a adoção de políticas públicas afirmativas em áreas com altas taxas de violência juvenil. Não é segredo para ninguém que os jovens de periferia - em sua maioria negros - costumam ser cooptados pelo mundo do crime desde cedo e optam por ele ao se depararem com a falta de alternativas, sejam elas em uma escola pouco atrativa ou na ausência de oferta de trabalho.

Os desafios não são poucos quando se olha mais de perto para a realidade do país. De cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. Além disso, a chance de um negro ser vítima de homicídio é 23,5% maior que a de pessoas de outras raças ou cores. Para tanto, pede-se transformações mais profundas que a criação de programas e projetos com atuação pontual. É preciso trabalhar na origem com ações que atuem diretamente na redução da desigualdade social, fundamental para refletir na redução dos homicídios dos quais estes jovens são vítimas. A violência ainda se concentra em bairros com desvantagens sociais concentradas.

E aqui se fala também na violência policial, cometida por quem deveria proteger a população, já que o estigma social e racial acabam direcionando a este público o foco das instituições de segurança e suas ações muitas vezes arbitrárias. Por isso também são contemplados no Plano a redução da letalidade policial, da vitimização de policiais e o aumento do esclarecimento de crimes contra a vida para 80% dos casos.

Entre as 19 diretrizes gerais contidas no documento há uma boa dose de burocracia com a criação de gabinetes, órgãos de estudo sobre violência e segurança e afins. Quando se pede urgência, é preciso trabalhar com o que já existe, firmar parceria com instituições sérias e experientes que possam subsidiar as ações. Ou, como se diz, colocar a mão na massa definindo e cobrando competências específicas da União, estados e municípios, bem como envolver a sociedade nessa transformação a longo prazo que precisa ser séria, responsável e profunda.

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