Nosso problema é estrutural | Gazeta Digital

Sexta, 02 de março de 2018, 00h00

Nosso problema é estrutural

Adriano Meirinho


Em setembro de 2017, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado pelo juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. No dia 24 de janeiro, em Porto Alegre, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) realizou o julgamento em segunda instância caso. Lula foi condenado a 12 anos e um mês de prisão no caso do triplex do Guarujá.

O Brasil acompanhou o andamento do julgamento mais uma vez dividido majoritariamente em dois polos: aqueles em defesa do ex-presidente Lula e aqueles contra sua possível candidatura. Mais uma vez, encaramos a nossa impossibilidade de entender a complexidade das situações.

Não vivemos em uma novela. O Palácio do Planalto não é bastidor da Rede Globo, nenhum personagem é vilão ou mocinho, não é derrubando um que tudo se resolve, não vai chegar o episódio final onde todo mundo se ajeita, abre um champagne na beira da praia e vive feliz para sempre. Mas também não é deixando um criminoso impune, que se resolve o problema.

A condenação de Lula foi mais um exemplo de como o Brasil se divide em: "ah, finalmente o vilão foi capturado!" ou "ó não, nossa salvação está perdida!". Ao invés de visualizarmos por essa ótica, precisamos adquirir uma visão mais ampla dos problemas estruturais que causam todas as más conjunturas políticas.

Precisamos mudar o baralho. Lula terá escapatória? Não sabemos os bastidores do jogo político e algumas primeiras saídas para salvá-lo, poderiam ser o Supremo Tribunal Federal (STF) ou Superior Tribunal de Justiça (STJ) alterarem a Lei da Ficha Limpa, alguns ministros do STF mudarem seus votos sobre prisão em segunda instância. Esse mesmo STF fatia o Impeachment da Dilma (o que não foi feito com o Collor), retarda processos dos que têm foro privilegiado ou muda as leis para proteger quem está ganhando o jogo. No fim, o STF é mais um órgão aparelhado do estado em favor do coronelismo.

Ou seja, não estamos apenas falando dessas estruturas, mas do que veio muito antes disso. Nossa sociedade não se organizou sozinha, foram séculos de obediência a interesses de quem a organizou. A proclamação da república foi o maior golpe que o Brasil sofreu por conta de republicanos escravocatas. Para os republicanos de 1871, a lei do ventre livre era um absurdo, pois até os mais pobres do Brasil possuíam escravos. Eis a base da nossa república.

Quando os interesses de todos os lados se encontram, entramos em um cenário conflitante e contraditório, onde as vozes que se destacam na multidão são logo taxadas como representantes e responsáveis de um todo muito maior.

Não é sobre uma figura política, é sobre as bases que sustentam todas elas. O baralho que herdamos já está viciado, ele todo tem que mudar. Seria essa mudança a reforma política? Entender que esse é o cerne dos problemas, que essa é a pergunta que devemos estar fazendo, já é um grande passo para buscar as soluções certas.

Adriano Meirinho é CMO e co-fundador do Celcoin, aplicativo de serviços financeiros

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