Inovar confunde a mente | Gazeta Digital

Sábado, 03 de março de 2018, 00h00

Inovar confunde a mente

Rapphael Curvo


Este artigo será sobre empregos, mas no artigo da semana passada, a respeito da Educação, "Inovar atrapalha a mente", escrevi que a mesma tem um grande adversário que é a incapacidade de inovação pelos governantes brasileiros. Falar em inovação é algo que aterroriza desde os dirigentes até os quadros de professores, isto porque inovar implica em mudança e com ela maiores exigências de trabalho e de conhecimentos. Nem a semana passou, ocorreu a publicação de um relatório inédito do Banco Mundial sobre a Educação brasileira. Este relatório constata que o Brasil levará, na forma com que atua educacionalmente, cerca de 260 anos para atingir o nível que vivem os países mais evoluídos na questão de Leitura e 75 anos para a Matemática. Ano após ano nossas avaliações nos mostram que sempre continuamos com baixo nível de crescimento no ensino, são décadas de confirmação dessa nossa incapacidade de evoluirmos no setor educacional. Até por uma questão de piedade com a juventude brasileira que, geração após geração, é jogada na lata do lixo, deveriam os "educadores", em todos os escalões, ter a sensibilidade de pedir as contas e buscar por outros caminhos de sua subsistência, teríamos um enxugamento de incapacidades. Não é mais admissível ficarmos nesse patamar esdrúxulo que estão impondo negativamente a milhões de jovens no Brasil. Está na responsabilidade de todos a lastimosa situação em que vive o País na área educacional.

O mesmo está ocorrendo na área de empregos. O governo é incapaz de desenvolver políticas e projetos que estimulem e deem à iniciativa privada a devida possibilidade de se desenvolver sem que caibam a ela a sustentação desse Estado paquidérmico que é hoje o governo, em todos os níveis. Administram apenas formas e formatos de cada vez mais sugar aqueles que produzem para viabilizar suas lambanças e mordomias. Nada é feito para promover e estimular o crescimento empresarial. Para tudo concedido aos empresários em termos de políticas desenvolvimentista, é tomado em dobro via outros penduricalhos fiscais. O descrédito é tanto que a economia brasileira patina no atoleiro da desindustrialização. O fosso tecnológico é cada vez maior e é bem provável que seremos, se já não somos, um gigantesco País de fornecimento de mão de obra barata para o mundo.

São 26,5 milhões de pessoas sem trabalho. Outros 45 milhões vivem na dependência de benefícios da distribuição de dinheiro via o Bolsa Família. A qualificação do trabalhador brasileiro despencou e já chega a relação de 4,3 trabalhadores brasileiros para realizar as mesmas tarefas produtivas de 1 trabalhador americano. Na América Latina, o trabalhador brasileiro só é mais produtivo que o boliviano. Há 35 anos que a produtividade no Brasil está estagnada. O desalento do nosso trabalhador está tomando corpo de forma perigosa ante a fragilidade diante do que pode ocorrer, um colapso da vontade de produzir. O trabalhador não vê esperanças e expectativas a sua frente e essa massa pode transformar o País em uma grande legião de pessoas espalhadas pelas vielas e ruas das cidades destituídas de qualquer sonho, isso se ficar apenas por aí.

Reforço as várias escritas minhas de tempos atrás sobre os caminhos que possibilitariam maior ocupação de mão de obra e abertura para a qualificação. Basta apenas agir sem que nada de grandes mudanças ocorram nas relações do trabalho com a criação do Regime Permanente e do Regime Especial. Apenas para lembrar, o primeiro seria com a redução de um dia de trabalho na semana sem que aconteça qualquer alteração na relação trabalhista e salarial, ou seja, a semana seria de quatro dias. Já o Regime Especial, sexta feira, sábado e domingo, seria a relação de trabalho de três dias para os trabalhadores que obedeceriam ao mesmo regime trabalhista existente, só que receberiam de acordo com as horas trabalhadas. Neste período, para as empresas que aderissem, não seria cabível qualquer tributo federal, estadual e municipal no que for produzido, exceto o recolhimento das leis sociais. Nenhum trabalhador poderia exercer os dois regimes. Além da possibilidade do trabalhador melhor se aperfeiçoar profissionalmente ou de criar seu próprio negócio com o tempo disponível, não seria exigível grandes investimentos físicos e de plantas industriais. Haveria maior circulação de dinheiro e aumentaria a arrecadação inclusive com circulação de matérias-primas para a produção industrial. Não deixa de ser um assunto de certa complexidade, mas inovador. É certo que, para muitos, inovar confunde a mente.

Rapphael Curvo é advogado, jornalista e escreve neste espaço aos sábados

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