A transição digital | Gazeta Digital

Segunda, 05 de março de 2018, 00h00

A transição digital

Daniel Almeida de Macedo


Estudos apontam que 22,5% da economia mundial estão diretamente relacionados aos meios digitais. Substituir a mala direta por ações de Marketing Digital, baixar um livro em vez de comprá-lo na livraria, pedir comida pelo aplicativo ao invés de ligar para um atendente representam exemplos corriqueiros dos novos modelos de negócio da era digital.

Na velha economia as informações se materializam em faturas, relatórios e operações em dinheiro. Tudo isso demanda tempo, espaço físico e recursos variados. Na economia digital a informação está disponível de forma digital, e se reduz a bits que circulam à velocidade da luz e são armazenados em nuvem. A questão é que não apenas se poupa recursos e tempo com as mudanças que o mundo digital traz, mas também são profundos os impactos no mercado de trabalho e na economia como um todo. Se a transformação digital tem o mérito de otimizar recursos e solucionar questões complexas com menos esforço, há um certo pessimismo quando se observa o desemprego estrutural que essa conversão pode causar. Isto porque ela exigirá uma maior qualificação e especialização profissional que muitos profissionais não poderão oferecer logo de início, até mesmo porque não há clareza hoje sobre quais competências exatamente serão necessárias nessa nova realidade de mercado. Esse descompasso entre o novo que surge e o velho que ainda está vigente está no centro da discussão sobre os desafios sociais da modernização tecnológica pela via digital, uma transição com várias velocidades e com efeitos positivos, mas, também, contraditórios.

Com a revolução digital, argumentam os especialistas, o conceito clássico de linha de produção abre espaço para a noção de cadeia de valor, mais relacionada a fatores imateriais da produção. A revolução em curso vai desde a investigação em novos materiais e nanotecnologias, como as pesquisas sobre o grafeno, material maleável e super-resistente, passando pela poderosíssima computação quântica até a reforma gerencial das instituições públicas e privadas para conseguirem lidar com esta nova e complexa realidade. Mas para compreender essa nova realidade governo e empresas precisarão conhecer suas implicações, e aqui, mais uma vez o novo e o velho precisarão dialogar, e se possível, um deverá pavimentar o caminho para o outro. De uma forma mais ampla, não apenas a economia está efetuando uma transição para a era digital, mas a própria sociedade e suas relações estão paulatinamente se digitalizando. Basta perceber que na sociedade atual com traços de virtualidade cada vez maiores, as pessoas estão permanentemente interconectadas e um apagão on-line ou a negativa de acesso a um sistema praticamente inviabiliza as interações e o fluir das mais elementares relações cotidianas.

É improvável que a transformação digital não alcance todos os setores de atividade econômica. Algumas tendências projetadas são empolgantes, como a modernização digital das áreas de negócio, a evolução da economia da partilha colaborativa (uma espécie de uberização dos serviços), a robótica, a realidade virtual e a realidade aumentada, a internet dos objetos, a gestão de bancos de dados e o cloud computing, talvez um dos mais poderosos instrumentos da era digital. Do outro lado dessa revolução dos novos modelos de negócio digitais estão ameaças como a desorganização da economia do trabalho e da proteção social. Há também os riscos sistêmicos e aleatórios, falhas tecnológicas e operacionais e o mais temido de todos os receios digitais: o cibercrime.

A revolução digital em curso deve ser minuciosamente considerada pelo Estado-administração que deve rever em profundidade toda a sua política de regulação pública em matéria de inovação tecnológica e aproveitar a oportunidade para operar algumas "reformas de estado" que liberem o desenvolvimento e o progresso social. Afinal, segundo o filósofo italiano Antônio Gramsci "a crise consiste precisamente no fato de que o velho está morrendo e o novo ainda não pode nascer".

Daniel Almeida de Macedo é doutor em História Social pela USP e escreve neste espaço às segundas-feiras

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