Relógio biológico grita | Gazeta Digital

Quinta, 08 de março de 2018, 01h30

Editorial

Relógio biológico grita

Da Editoria


Seu relógio biológico vai tocar. Esta é uma das frases mais ouvidas pelas mulheres na atualidade. Mas a verdade é que o relógio biológico das mulheres não vai tocar, ele toca desde que elas nascem e quando chegam à maturidade e são "obrigadas" a ouvir comentários machistas, o relógio biológico delas já está é gritando. Afinal, este tal de relógio biológico é um termo usado para o mecanismo que controla todas as atividades do organismo de um ser vivo. Até animais e plantas possuem. E ao falar em atividades, as mulheres são campeãs nisso.

Hoje, no Dia Internacional da Mulher, vale destacar o quanto este relógio biológico tem transformado a vida, ajudado as mulheres darem a volta por cima. Infelizmente, elas continuam ganhando menos do que os homens e isso não é "mi-mi-mi" feminista. São dados de pesquisas, como a divulgada nesta quarta-feira (07) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As mulheres seguem recebendo, em média, cerca de 3/4 do que os homens recebem, mesmo sendo mais escolarizadas. O diferencial de rendimentos é maior na categoria ensino superior completo ou mais, na qual o rendimento das mulheres equivale a 63,4% do que os homens recebem.

Mesmo muitos dados mostrando que as mulheres ainda sofrem com os "pré-conceitos" de uma sociedade machista, antiquada, por outro lado as mulheres mostram que elas continuam enfrentando, dando forças uma para outras, vencendo as barreiras. A cada dia são novas barreiras, mas todas superáveis. Não há nada que não pode ser transponível.

Mesmo trabalhando fora de casa, um direito conquistado após muita luta, as funções do lar continuam caindo muito mais nas costas femininas. Na hora de cozinhar, limpar casa, cuidar das crianças, a participação masculina é de cerca de 25%. Mas elas dão conta. Trabalham fora, têm filhos, cuidam de tudo. Muitas decidiram não ter filhos, e nem por isso possuem uma rotina menos pesada. Também cuidam de tudo e enfrentam muito machismo.

Nas empresas, as mulheres avançam nos cargos gerenciais. Os homens ainda lideram, mas há esperança que o quadro ainda pode mudar. Preconceitos há muitos, além do gênero, com a cor, com a idade, com a aparência, mas como já dito, tudo pode ser superado numa sociedade mais humana e, principalmente, mais inteligente.

O que as mulheres precisam, urgentemente, é avançar na participação política. Mato Grosso, por exemplo, não tem representante feminina na Câmara dos Deputados. A participação na Assembleia Legislativa é mínima. Em nível nacional, as mulheres, em 2017, eram apenas 10,5% dos deputados federais em exercício. Esta proporção (10,5%) é a mais baixa da América do Sul, enquanto a média mundial de deputadas é 23,6%. É preciso que as mulheres participem mais e que as mulheres votem mais nelas mesmo. Só assim para conseguir reverter algumas distorções.

Hoje a mulher já está nas Polícias Civil e Militar. A mulher está no Corpo de Bombeiros, nos mais altos cargos. Já ocupou a presidência da República.

A mulher tem o direito de decidir se vai ou não ter filhos. A mulher não é obrigada nem mesmo a fazer sexo com seu marido, ou o caso é configurado estupro. A mulher não é obrigada a aceitar o machismo, a violência, a agressão nem que seja verbal. Muito pelo contrário. Ela tem que denunciar. Afinal, o mínimo que toda mulher merece é respeito.

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