Todo dia é dia | Gazeta Digital

Sexta, 09 de março de 2018, 00h00

Editorial

Todo dia é dia

Da Editoria


Oito de março mal acabou e não é exagero dizer que na manhã de hoje, no trânsito, por exemplo, os parabéns de ontem já voltaram a dar espaço ao "tinha que ser mulher". Ou que aquelas flores no grupo de WhatsApp já foram substituídas por vídeos pornográficos amadores acompanhados de xingamentos a ela, é claro, porque "mulher de respeito não faz essas coisas".

Menos de 24 horas depois do Dia Internacional da Mulher, é bem provável que o chocolate deixado na mesa da funcionária será tudo o que ela terá. Aquele aumento salarial esperado há meses não virá porque o colega homem, que senta ao lado, "é menos inconstante e mais eficiente".

A mãe, ontem descrita como um exemplo de mulher forte porque cria os filhos sozinha, voltou a ser irresponsável porque, mais uma vez, se atrasou para buscá-los na escola. No trabalho, o profissionalismo destacado voltou a ser "o estresse causado pela falta de homem". E, no lar, o orgulho daqueles que descreveram a incrível jornada diária que ela enfrenta já está esquecido, porque a casa não está tão limpa quanto deveria.

A atleta também já deixou de ser exemplo de superação para se tornar, de novo, a "mulher macho" devido às alterações em seu corpo que o esporte causou. E a gordinha não é mais referência de quebra de padrões sociais, só a "preguiçosa e desleixada" de antes. A única chefe de equipe teve que, novamente, servir o café para os colegas que ocupam cargos semelhantes na reunião de trabalho porque "mulher leva mais jeito para isso".

A delegada? "Ah, ela não tem pulso tão firme quanto os homens que a antecederam". E a top model? "Ela, na verdade, faz programa quando não está desfilando". "Aquela jornalista só conseguiu o furo de reportagem porque "seduziu" a fonte". E a garçonete que foi estuprada? "Precisava usar uma saia tão curta?". Prefeita? "A última que passou pela cidade foi a pior administradora que já se viu".

As situações apontadas podem soar exageradas para algumas pessoas, mas a maioria de nós já presenciou uma cena parecida ou, pelo menos, conhece alguém que viu algo do tipo acontecer. E se engana quem pensa que os envolvidos em casos assim são sempre homens. O machismo, em boa parte das vezes que ocorre, parte das próprias mulheres.

Não se tratar de exibir as mulheres como sendo perfeitas. Nem todas são boas motoristas ou profissionais exemplares ou excelentes donas de casa ou nasceram para serem mães. Elas cometem erros tanto quanto os homens - e o destaque é justamente para o termo "tanto quanto" -, então, o discurso não precisa e não deve ser de exaltação a qualidades que nem todas possuem.

O problema começa quando, ao se apontar os erros que elas cometem, se justifique eles com o simples fato de elas serem mulheres. E continua quando esses erros acabam tomando proporções maiores do que teriam, se o responsável por eles fosse do sexo masculino.

Não é uma questão de ser pior ou melhor. É uma questão de igualdade de tratamento e mudança na forma de pensarmos o mundo. Se todos refletirmos antes de falar, teremos não apenas um dia 8 de março, mas todo o resto de ano feliz para elas!

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