O que será de 2018? | Gazeta Digital

Terça, 05 de dezembro de 2017, 00h00

O que será de 2018?

Onofre Ribeiro


Com uma frequência imensa venho sendo questionado com essa pergunta. Mesmo que tivesse uma bola de cristal que não fosse fabricada na China e comprada no shopping popular, teria condições de responder.

Temos a guiar as eleições de 2018 uma série de cenários muito instáveis:

1- Uma reforma eleitoral porcamente mal-feita

2- Partidos políticos esvaziados e com líderes indiciados ou acusados de falcatruas

3- Desgaste monumental das instituições públicas, de ponta a ponta

4- Gestões públicas mal avaliadas em todos os estados, alguns em estado terminal, como o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul

5- Parlamentares completamente desacreditados aos olhos da população

6- Cenários eleitorais em clima de guerra entre sobreviventes das atuais legislaturas federais e estaduais

7- Dificuldades de financiamento das eleições com a mesma fartura de dinheiro das eleições passadas

8- Eleitor muito desconfiado de conversa política

9- Falta de discursos articulados com os desejos da sociedade indignada e do Estado desarticulado e ineficiente.

Seguramente haveria mais pontos a assinalar. Será uma eleição anarquizada com discursos desencontrados e candidatos que não compreendem a nova sociedade que vem emergindo lentamente do poço atual. Aquele discurso genérico e sem compromisso das eleições passadas não vai colar desta vez em 2018. Tipo: "vou me eleger pra cuidar da saúde, da educação, do meio ambiente e da geração de emprego e renda". Essa promessa é vazia. Cada um desses itens revela um mundo a se resolver.

Mas a pergunta é: que tipo de discurso o eleitor quer ouvir? As pesquisas qualitativas ainda não detectaram a natureza do oceano de indignação que se percebe entre as pessoas. Pode ser pra valer, mas pode ser uma onda passageira que aceitará qualquer como sempre aceitou.

Os marqueteiros de plantão que sempre repetiram a velha fórmula de construir candidatos imitando Collor de Mello em 1989. Já não colarão mais. O que dirão os candidatos aos seus eleitores? As universidades não se interessaram em estudar essa novo sociologia. Nem os institutos de pesquisa. Portanto, eleições nubladas nos esperam em 2018.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

onofreribeiro@onofreribeiro.com.br www.onofreribeiro.com.br

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