Queda histórica | Gazeta Digital

Quarta, 06 de dezembro de 2017, 00h00

Editorial

Queda histórica

Da Editoria


O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciará hoje (6) no início da noite aquela que pode ser a menor taxa de juros da história do Brasil. Analistas do mercado financeiro apostam na redução de 0,5% na Selic, que pode terminar 2017 em 7% ao ano, o menor índice desde 1986, quando começou a ser registrada pela autoridade monetária nacional.

A reunião do Copom, que começou nesta terça-feira e termina hoje, é realizada periodicamente pelo governo brasileiro e reúne representantes de vários órgãos ligados à economia brasileira como o Ministério da Fazenda. Em geral, ocorre a cada 40 dias para definir a taxa Selic, que serve de referência para cobrança de juros pelas instituições financeiras nas operações de crédito. Se a expectativa de queda se confirmar, esta será a 10ª redução seguida na taxa básica de juros da economia brasileira.

Fazendo um breve resgate, em outubro o Copom reduziu a Selic em 0,75 ponto percentual, de 8,25% ao ano para 7,5% ao ano, igualando à taxa de maio de 2013. Um pouco antes, de outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa ficou em 7,25%, a menor até então da série histórica, e passou a sofrer aumento gradual até atingir 14,25% ao ano em julho de 2015, índice que foi mantido por alguns meses.

O corte na taxa de juros começou em outubro do ano passado, até chegar ao patamar atual. Mas, o que acontece quando o governo reduz a taxa básica de juros? O que isso influencia na vida e no dia a dia dos brasileiros? A Selic é usada pelo governo como um instrumento para controle do consumo e da inflação. Ao aumentar a taxa Selic, o Banco Central segura o consumo e pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Do contrário, ao reduzir os juros básicos, a tendência do Copom é baratear o crédito e incentivar a produção e o consumo, no entanto, enfraquece o controle da inflação.

E por falar em inflação, a expectativa do mercado financeiro, contida no Boletim Focus, divulgado na segunda-feira (4) pelo BC, projeta que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) termine o ano em 3,03%, quase o mínimo da meta (3%), cujo centro é 4,5%. Para o próximo ano, a expectativa é que a inflação fique um pouco acima, em 4,02%, mas ainda abaixo do centro.

E essas manobras feitas pelo governo na Selic influenciam diretamente na vida dos brasileiros, pois com os juros mais altos, ele deixa de comprar e aqueles que optam por comprar nesta condição pagam mais caro. Já no momento atual, em que a Selic está em queda, o consumo se torna mais favorável, mas se esbarra na situação orçamentária das famílias.

Com a economia brasileira ainda fragilizada, com uma legião de brasileiros desempregados e se arranjando por meio de subempregos e trabalho informal para se sustentar, a queda na taxa Selic não surte o efeito esperado. Sem trabalho e sem renda, o brasileiro não está tendo condições de honrar compromissos básicos como água, luz, telefone, aluguel, que dirá se comprometer com a compra de um bem mais caro como automóvel e imóvel.

Contudo, vale lembrar que apesar de milhões de brasileiros estarem passando dificuldades por causa da crise econômica, outros milhares mantiveram seus empregos e podem usufruir das consequências positivas da queda nos juros e na inflação. Tanto que alguns bancos anunciaram ontem mesmo, antes do anúncio da decisão do BC, que os juros para pessoa física serão reduzidos a partir da próxima semana. Até porque, em tempo de maior demanda de crédito para as compras de fim de ano, o que as instituições financeiras querem mesmo é aumentar a base de clientes e o número de operações. Já o consumidor, mais suscetível ao forte apelo comercial típico desta época do ano, deve resistir e fazer as contas antes de comprar, pra não começar 2018 endividado e com o orçamento comprometido.

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