Algo bom vindo de Brasília | Gazeta Digital

Sexta, 08 de dezembro de 2017, 00h00

Editorial

Algo bom vindo de Brasília

Da Editoria


Ultimamente, com mais intensidade, a sensação geral é de que nenhuma lei aprovada pelo Congresso Nacional faz diferença, de verdade, na vida das pessoas. Aliás, desde que a avalanche de escândalos despencou em Brasília, as votações mais expressivas da Casa se referem apenas à corrupção e suas consequências. Enquanto se discute o alcance da Lava Jato, o governo também procura costurar acordos para conseguir aprovar suas reformas, dentre as quais a da Previdência, que já gera imensa polêmica, assim como as mudanças nas leis trabalhistas. Pensando assim, não se pode esperar nada de bom vindo de lá? O histórico não favorece, mas eventualmente há algo a se exaltar. Na noite da quarta-feira, por exemplo, a Câmara Federal aprovou um projeto de lei que eleva para até 8 anos de prisão a pena para os motoristas embriagados que causam acidentes fatais. Nossa atual legislação penal sequer discrimina punições a casos em que o condutor esteja alcoolizado, fixando a punição em 2 a 4 anos, o que pode ser revertido em serviços à comunidade. A nova lei, caso seja sancionada pelo presidente da República, prevê a prisão em regime fechado como pena, nos casos culposos - quando não há intenção de matar. A maior mudança será no balizamento das penas, uma vez que juízes poderão ter uma nova base para julgar fatos desta natureza. Em boa parte dos casos, a legislação branda atual serve como elemento a reforçar a impunidade aos motoristas bêbados, deixando os magistrados de mãos atadas para aplicar sanções mais justas.

No Brasil, por sinal, um dos campeões em tragédias causadas por irresponsáveis ao volante, é rara a sentença que signifique o cumprimento de pena em regime fechado, ao menos por alguns anos. Quando as tragédias envolvem gente famosa como causadora dos acidentes fatais, a potencialidade do mau exemplo duplica. Isso porque a celebridade em questão aparece, depois, clamando pelo perdão público e se mostra pesarosa com o fato, ganhando apoio da mídia e dos fãs para seguir em frente. Mas as pessoas que morreram e as famílias destruídas, são facilmente esquecidas. No fim da década de 1990, no seu auge como jogador de futebol, Edmundo "Animal", acelerou fundo o seu carro importado após sair embriagado de mais uma de suas noitadas no Rio de Janeiro. Poucos metros adiante atingiu violentamente um carro onde estavam pessoas de uma mesma família a caminho do trabalho.Três delas morreram na hora e Edmundo, apesar de ter capotado o veículo, sofreu apenas alguns arranhões. Foi uma comoção nacional. Muita gente pedia punição exemplar ao "Animal". Seria o fim da carreira gloriosa do atacante? Jamais. Após se aposentar do futebol, Edmundo seguiu com espaço na mídia e atualmente trabalha como comentarista em um dos maiores canais de esportes da TV fechada. A Justiça o condenou, anos depois, pela morte das pessoas, mas Edmundo sequer passou perto da cadeia. Embora a vida ensine a todos de que é preciso seguir em frente, a pena para quem ficou sem pai, mãe, filho, marido e esposa é eterna. E esperava-se, no mínimo, que o culpado por tamanha tragédia ao menos pagasse adequadamente por tudo o que provocou. Para quem já passou por esse tipo de drama, resta o alento de não assistir esse tipo de injustiça se repetir indefinidamente.

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