Xô tristeza: dicas para não começar o ano deprimido | Gazeta Digital

Quarta, 03 de janeiro de 2018, 16h53

Luís Augusto Malta

Xô tristeza: dicas para não começar o ano deprimido

Luís Augusto Dias Malta


Esta é a época mais alegre do ano; mas não para todo mundo... Enquanto mensagens de amor e felicidade inundam vitrines, telas de TV e páginas de revistas, para muitas pessoas, a realidade das festas de final de ano não é tão alegre. Prazos estressantes, discussões familiares, práticas exageradas de alimentação, maior consumo de bebidas alcoólicas e dias cada vez mais corridos podem tornar essa época do ano não tão alegre como as propagandas prometem.

Para evitar que esse período de final de ano se torne um tormento, existem alguns cuidados que podem ser tomados por todos nós. Um dos principais conselhos é evitar criar expectativas pouco realistas.
Não se pressione a realizar mais do que você realmente dá conta de fazer. Algumas pessoas criam uma expectativa muito grande baseada em um padrão de Natal fantasioso, mostrado nos filmes e propagandas de TV. Como, na verdade, as coisas nunca acontecem exatamente como antecipamos, isso pode se tornar extremamente decepcionante para alguns.

Uma maior pressão por entregas e prazos, aliada ao medo de não conseguir fazer isso tudo, também são alguns gatilhos comuns para o desconforto nessa época. Ser uma vítima do próprio perfeccionismo e achar que as outras pessoas, inclusive membros da sua família, irão ficar desapontados com você por não alcançar essa perfeição pode contribuir bastante para esse mal-estar.

Especialmente quando se trata dos encontros e viagens em família, é importante avaliar bem as expectativas durante as férias e não esperar que as coisas sejam perfeitas. Se essa época de festas tende a representar um momento de conflito em sua família, ou se você experimentou a perda de um ente querido, recentemente, talvez pressionar a si mesmo ou sua família para que todos se divirtam ou se comportem com alegria pode levar a momentos de decepção e ansiedade adicionais.

E evite comparações: lembre-se que, ao contrário do que você vê no Facebook, outras pessoas e famílias também enfrentam as mesmas correrias e dificuldades. Potencializado pela tendência exibicionista nas redes sociais, as constantes demonstrações de momentos felizes publicadas pelas outras pessoas também podem servir com um doloroso lembrete da falta de felicidade e amor que, eventualmente, existe em nossas próprias vidas.

Por esse motivo, o mês de dezembro acaba se tornando uma época particularmente difícil para aqueles que lidam com problemas pessoais, conflitos familiares, perdas ou rupturas, divórcio, solidão e saúde mental, por exemplo.

Sentimentos como melancolia e mau humor afetam muitas pessoas no final do ano. Para não sofrer por antecipação ou por quaisquer atitudes que considere inadequadas em outras pessoas, tenha em mente que essa época de festas e o final de ano irão passar em breve. Procure se comprometer a fazer um balanço sobre tudo aquilo que você tem a agradecer. Ter gratidão é provavelmente o melhor antídoto contra a depressão.

Luís Augusto Dias Malta é médico psiquiatra e colaborador do blog Padecendo no Paraíso

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