Público e privado | Gazeta Digital

Sábado, 10 de fevereiro de 2018, 00h00

Público e privado

Jairo Pitolé Sant"Ana


No Brasil tudo é previsível, especialmente na aceitação dos privilégios dos que se consideram casta e na condenação, quando algum benefício tem como destino o andar de baixo, os despossuídos.

Um exemplo é o Bolsa Família. Embora destinado a quem tem uma renda (chamam isso de renda) pessoal de até R$ 185 e repasse entre R$ 39 e R$ 372, dependendo do número de filhos, é execrado por boa parte da população. Seus beneficiados chegam a ser chamados de vagabundos (como os aposentados já foram um dia), parasitas e preguiçosos, e as migalhas, transformadas em "fatores de desequilíbrio da economia brasileira".

Aproveitando a deixa, parece não existir políticas públicas neste país. Inexplicável nada ter sido feito para evitar a contínua violência no trânsito e seus custos. Segundo o site Autoescola Online, por causa disso gastou-se R$ 40 bilhões em 2014, entre despesas hospitalares, perda de produção (do acidentado) e danos ao veículo.

Ah! Este valor é superior aos investimentos em melhoria da infraestrutura rodoviária e em campanhas educativas.

Doenças já erradicadas, como febre amarela e tuberculoses, estão de volta, pelo total desprezo à saúde pública. Como gasolina ou energia elétrica, a vacina é racionada e ministrada a conta-gotas.

Mas, ao contrário da inexistência de políticas públicas, proliferam-se as políticas privadas, desde que subsidiadas, óbvio, pelo dinheiro público (isto é, pertencente a um povo, à coletividade).

Por exemplo, nas duas últimas semanas antes da votação de uma denúncia contra ele pela Procuradoria Geral da República, Temer liberou R$ 15,3 bilhões em programas e emendas a estados e municípios, parcelou dívidas sem juros e a perder de vista e banca publicidade na tentativa de aprovação da reforma da Previdência.

Outro exemplo, é o tal auxílio-moradia, pagos pela União a servidores dos três poderes, mesmo pra quem tem moradia, há até um casal de juízes recebendo. Foram R$ 817 milhões em 2017, beneficiando quase 31 mil felizardos, entre, em ordem decrescente, juízes, promotores, desembargadores, conselheiros de tribunais de contas de estados e municípios, ministros de cortes superiores e nove ministros do TCU. O levantamento é do Senado Federal.

A grana é "legal" (chega a R$ 4.377,73), mas há quem a julgue imoral. Como há muitos a defendê-la, além dos beneficiados.

Jairo Pitolé Sant"Ana é jornalista em Cuiabá. Sócio da Coxipó Assessoria de Imprensa. E-mail:coxipoassessoria@gmail.com

Gazeta Digital também está no Facebook, YouTube e Instagram   



Aguarde! Carregando comentários ...


// leia também

Terça, 20 de fevereiro de 2018

00:00 - Inovação e empregabilidade

00:00 - E agora, Pedro?

00:00 - Auxílio-moradia dos juízes

00:00 - Quem será o próximo presidente?

00:00 - Não poupamos

Segunda, 19 de fevereiro de 2018

16:23 - A intervenção federal nas cidades pode ser problema e não solução

16:17 - O Brasil precisa de um choque liberal

00:00 - Economia intangível

00:00 - Riscos on-line

00:00 - Na contramão do desenvolvimento


 ver todas as notícias
Cuiabá, Terça, 20/02/2018
 

Facebook Instagram

Fogo Cruzado
titulo_jornal Terça, 20/02/2018
768bdb65035787436f1bc4ad07df1cf3 anteriores



Indicadores Econômicos

Mais Lidas Enquete

Após 15 anos, Arcanjo deixa a prisão e vai cumprir regime semiaberto




Logo_classifacil









Loja Virtual