Foi o tempo | Gazeta Digital

Sábado, 10 de fevereiro de 2018, 00h00

Foi o tempo

Rapphael Curvo


Informo aos Senhores, que sexta-feira, dia 09/02 às 17:30 se encerrou a crise no Brasil.

Retornaremos com ela na quarta-feira ao meio dia. Obrigado pela compreensão e apoio de todos. Este é o Brasil. Parece que teremos calma nos morros. Nada de balas perdidas e matanças generalizadas porque é carnaval. Nada de desvios de dinheiro público porque os dias são só da gastança deles, do já arrecadado. Estaremos livres das sessões no Congresso Nacional e das canetadas do Temer. São alguns dias de descanso psicológico e de noticiários mais limpos dos meios de comunicação. Acho também que neste período o Ministro Gilmar Mendes não soltará ninguém, mas como tudo é possível, não afirmarei. O Lula poderá se aliviar um pouco e cultivar esperanças que os embargos auriculares do seu advogado com os ministros do STF se sedimentem para que as grades tenham o conforto do seu apartamento e o do vizinho que é "alugado". Ele estava contando com o triplex do Guarujá neste carnaval. O sítio de Atibaia tem o fantasma do Moro rondando e isso tira a sua tranquilidade, mas seria muito bom, um ensaio para Curitiba.

Milhões de brasileiros estarão nas ruas para defender e consolidar o seu "status quo". Como não é conhecedor de melhor condição de vida, o carnaval é tudo que quer, seja lá de que forma for. Eles se reconfortam com os dias de Momo. É um momento mágico em que suas entranhas psíquicas se esbaldam na folia com a aura de que o Brasil é bom demais, nada melhor neste mundo. Neste período o brasileiro finalmente parece ser o dono do Brasil, fora isso é um mero coadjuvante, melhor, um mero serviçal que trabalha para o seu patrão, o Estado, dirigido pelos "notáveis". O País para por dias, em alguns lugares por muitos dias, para que o espírito alegre do povo brasileiro possa se manifestar e demonstrar toda a sua alegria e satisfação, não importando a sua condição miserável de vida e toda essa situação calamitosa que existe e vive no seio do Poder no Brasil. Vão aos milhões para as ruas durante o carnaval, e as dezenas para lutar por um País melhor. Fica a dúvida se a população espera por outubro para dar seu recado definitivo, assim como foi em outubro de 2016, nas eleições das prefeituras, quando varreu o PT do mapa do Poder político.

O significado da palavra "Carnaval", vem do latim carna vale, ou seja, adeus a carne. Era uma festividade que precedia a quaresma e dava início ao período de abstinência da carne. Com o passar dos séculos várias formas de festejar o carnaval pelo mundo tomaram seu jeito. Hoje o Brasil é o País que desponta nesse evento. Tempos passados, não muito longínquos, as festividades eram sadias e realmente se apresentavam como uma diversão e reunião de grupos sociais. Os tempos hoje são outros, o Carnaval tomou o rumo da quebra de conceitos e regras da decência e da moralidade e se personificou num vale tudo em que nada é proibido. O ato de uma festa profana se transformou em mobilização de prostituição desenfreada. É o período em que os recalques dos fracassados e dos derrotados afloram e a sua psique se manifesta com toda a força do sofrimento de existir vivendo nessa condição sub-humana em que são forçados pelos "notáveis", os donos do Poder. É quando o povo tem a oportunidade de botar para fora sua revolta e a melhor forma é agredir as regras sociais estabelecidas dentro da ética e da moralidade. Ele, o povo, parece sentir que os dias de Carnaval são deles e a sua extravagância não pode ser contida, ele tem que de alguma forma se manifestar, seja com desrespeito, com altas dosagens alcoólicas ou agressividade.

A festa de Carnaval que era um encontro saudável de classes, perdeu sua nobreza. Hoje, raras exceções pelo Brasil afora que ainda mantêm a postura de alegria festiva, o Carnaval se tornou um evento de ganhos para certos setores da economia, e só. Tudo está voltado torná-lo extremamente comercial. Pelo lado comportamental, se tornou uma arena de caça entre homens e mulheres, estimulados pelos meios de comunicação que, até nas chamadas comerciais, apresentam o corpo como meta primeira a ser atingida no relacionamento. Nesta noite e outras, milhares de bundas, silicones e botox estarão nas telas de nossas televisões. A audiência está em queda ano após ano, é uma festa decadente. Os blocos de fantasia, o esquenta antes dos clubes, os desfiles pelas avenidas das cidades ainda subsistem no interior que procura com imensa força, recuperar o que já foi bom. Nas grandes, foi o tempo.

Rapphael Curvo é advogado e jornalista e escreve neste espaço aos sábados

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