Cidades para veículos | Gazeta Digital

Terça, 06 de março de 2018, 00h00

Editorial

Cidades para veículos

Da Editoria


Entre 30% e 50% dos deslocamentos nas cidades brasileiras são feitos a pé. E embora tenham prioridade na Política Nacional de Mobilidade e na Lei Brasileira de Inclusão, pedestres e as pessoas com deficiência continuam a ser tratados como cidadãos de segunda categoria pelos prefeitos, secretários e governadores. As cidades definitivamente não são feitas para as pessoas que não utilizam veículos automotores.

As calçadas, quando existem, continuam esburacadas, cheias de degraus e desníveis, com obstáculos múltiplos que vão desde árvores a imóveis que avançam em áreas públicas, sem falar nos veículos que estacionam em locais proibidos impedindo que as pessoas caminhem nas calçadas

Raras são as que contam com piso tátil para a movimentação segura de deficientes visuais ou rampas de acessibilidade para cadeirantes, carrinhos de bebês ou pessoas com dificuldade de locomoção, seja permanente ou temporária.

Os sinais de trânsito para pedestres, por sua vez, quando existem, demoram a abrir. E são raros os que contam com recurso sonoro para deficientes auditivos.

Não há passagens específicas para pedestres em pontos onde elas são uma necessidade premente. Quando existem, na maioria das vezes, estão fora de padrão, deixando o pedestre em situação de risco ou desconforto.

Passarelas suspensas ou trincheiras são também equipamentos que mais expõem o usuário ao risco do que atendem suas necessidades, especialmente por questões de segurança.

Sim, esse é um outro ponto importante no que diz respeito à mobilidade a pé. As vias precisam ser iluminadas, seguras, ter policiamento para que os transeuntes se sintam seguros ao circular por elas.

O conforto também é um estímulo a mais. No entanto, não há locais de descanso ou abrigo nas rotas caminháveis das cidades.

Outra forma de mobilidade ativa, a bicicleta continua a crescer em importância no mundo contemporâneo. Sistemas de bikes compartilhadas proliferam em vários países, como um novo segmento de negócio sustentável, que potencializa a mobilidade urbana e evita o uso intensivo do carro no meio urbano.

Além disso, muita gente opta por esse tipo de meio de transporte, apesar de tudo. Em muitas cidades, especialmente no Brasil, as ciclovias ainda são poucas, normalmente sem interligação entre elas, equipamentos que permitam o uso de outros modais como ônibus e metrô, condutores não respeitam ciclistas e acidentes, muitas vezes fatais, acabam acontecendo.

Dados compilados pelo app 99 sobre o uso do automóvel em São Paulo apontam que mais de 40% das viagens são menores do que 2,5 km. E 63% delas não passam dos 5 km. São distâncias relativamente curtas, que poderiam ser feitas a pé ou de bicicleta para o bem da cidade e de seus moradores.

Para quem acha que o mundo gira exclusivamente sobre rodas dos automóveis, uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e pelo Serviço de Proteção ao Crédito revela que o comércio pode sim viver sem carros e estacionamentos. Na verdade, a pesquisa mostrou que as pessoas preferem fazer compras em lojas de rua e em locais de fácil acesso a pé, de bicicleta ou por transporte público. Enfim, uma prova de que mobilidade urbana sustentável também estimula a economia, gera riqueza e empregos.

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