Dia da Consciência Feminina | Gazeta Digital

Quinta, 08 de março de 2018, 01h30

Dia da Consciência Feminina

Aifa Naomi Uehara de Paula


"Alguma coisa está fora da ordem, fora da nova ordem mundial..." Peço aqui uma licença ao grande Caetano Veloso para chamar todas as mulheres a pensarem comigo sobre o verdadeiro sentido do Dia Internacional da Mulher. Não há dúvidas de que gostamos de receber presentes, agrados, afagos não só neste, mas em todos os dias do ano. Mas é preciso que a data sirva como alerta de que há muito para conquistarmos, inclusive na área do empreendedorismo.

Somos 57% da população brasileira e isso não se reflete na mesma proporção quando falamos de cargos de chefia ou posições de comando de empresas. Nem mesmo conseguimos igualar nossos salários numa comparação com o dos homens, ainda que cumprindo as mesmas tarefas e com carga horária igual. É preciso dizer que avançamos nos últimos anos nessa questão, mas está bem longe do ideal.

O preconceito, ainda muito arraigado na cultura brasileira, faz com que sejamos vistas pelo que aparentamos, e não pelo que podemos fazer, pela nossa capacidade. Em pleno século 21 ainda encontramos obstáculos como o assédio e a ideia de que o fato de ter filhos é empecilho para um bom rendimento no trabalho. Não vejo assim. A luta das mulheres por igualdade já mostrou que elas são capazes de tudo.

A visão de que o lugar da mulher é muito mais dentro de casa do que no mercado de trabalho termina por impedir que avancemos, por exemplo, no empreendedorismo. O aumento do número de mulheres que têm a própria empresa vem aumentando, mas numa proporção pequena. O que acontece na maioria das vezes por méritos próprios, já que permanece muito forte dentro das famílias brasileiras a ideia de que o homem tem que ser preparado para o mercado e a mulher para cuidar da família.

A continuar nesse ritmo, de acordo com um estudo da Oxfam International, feito com base nos números do Fórum Econômico Mundial, serão necessários 217 anos para que em todo o mundo homens e mulheres tenham as mesmas oportunidades de trabalho e renda.

É muito tempo. Não podemos demorar tanto. Não podemos esperar que os outros decidam que caminhos devemos tomar. É urgente que nos mobilizemos para mudar posições como a que ocupamos aqui em Mato Grosso. De acordo com dados do Ministério de Trabalho, o estado ocupa hoje o segundo pior lugar em participação feminina no mercado de trabalho, ganhando apenas do Distrito Federal.

Por estas e outras constatações é que considero este não apenas o Dia Internacional da Mulher, mas o "Dia da Consciência Feminina". O lugar das mulheres é onde elas quiserem! Devemos respeitar a participação feminina na transformação da nossa realidade, afinal cooperar é se unir para fazer do mundo um lugar melhor para todos.

Aifa Naomi Uehara de Paula é presidente do Sicoob Central MT/MS

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