O combate às 'fake news' | Gazeta Digital

Sexta, 13 de abril de 2018, 00h00

Alexandre Guimarães

O combate às 'fake news'

Alexandre Guimarães


Março de 2018: a vereadora Marielle Franco (PSOL) foi morta a tiros dentro de um carro no Rio de Janeiro. Anderson Pedro Gomes, motorista do veículo, também foi baleado e morreu. A outra passageira, assessora de Marielle, foi apenas atingida por estilhaços. A principal linha de investigação da Delegacia de Homicídios é execução. Logo após o crime, pipocaram vários boatos pela internet: "Marielle engravidou aos 16, foi casada com Marcinho VP e foi eleita pelo Comando Vermelho".

Todas as informações são falsas! Marielle teve a única filha, Luyara Santos, aos 19, e o pai dela é Glauco dos Santos. Não faz sentido também a afirmação de que Marielle foi eleita pelo CV. Ela recebeu 40% dos votos na Zona Sul e na Barra da Tijuca foi a quinta mais votada em toda a cidade.

Esses boatos são conhecidos como "fake news" histórias falsas que parecem ser notícias, espalhadas na internet ou por meio de outra mídia, normalmente criadas para influenciar visões políticas ou como piada, segundo o dicionário de Cambridge. Um boato se propaga porque encontra eco nos ouvintes a história faz sentido naquele momento.

Aliás, a fonte da informação influencia diretamente na decisão do receptor de passar ou não a mensagem adiante se o transmissor é de sua confiança, a história lhe parece crível e provavelmente você vai compartilhá-la. A questão é que antes a credibilidade de uma pessoa era baseada em seu trabalho, seus estudos etc. Hoje em dia, a confiabilidade de alguém é medida pelo número de seguidores em suas redes sociais.

Caro leitor, preste atenção! A disseminação de boatos pode ter consequências muito graves, inclusive a morte de pessoas inocentes. Não acredita? No dia 5 de maio de 2014, a dona de casa Fabiane Maria de Jesus foi espancada até a morte por moradores de Guarujá, no litoral de São Paulo. O motivo? Fabiane foi acusada de praticar magia negra com crianças por causa de uma notícia falsa compartilhada pelas redes sociais.

O boato gerado em uma página do Facebook e um retrato falado da dona de casa se espalharam pela internet. Cinco pessoas foram condenadas pelo crime e, em decorrência dessa tragédia, Fabiane pode dar nome a uma nova lei, em tramitação no Congresso Nacional, que visa punir quem incitar crimes pela internet.

A despeito de todos os problemas já citados e tantos outros, como a criação de páginas de cunho político que propagam "fake news" em mídias sociais, sites hospedados em países distantes e com legislação branda ou inexistente sobre a disseminação de mentiras, como a Macedônia (veja o ótimo documentário Fake News: Baseado em fatos reais, da GloboNews), e jovens brasileiros pagos para administrar contas falsas e publicar opiniões forjadas em redes sociais durante as eleições de 2014 (leia a excelente matéria Exclusivo: investigação revela exército de perfis falsos para influenciar eleições no Brasil, da BBC Brasil), temos que fazer um mea-culpa.

Somos todos culpados! Ou não? Pare e pense: você já compartilhou notícias no WhatsApp, Facebook ou em qualquer outra plataforma online sem checar a veracidade da informação? Pois é! Eu também!

Como combater a disseminação de notícias falsas? Fique atento aos sinais: sites registrados com domínios suspeitos (diferentes de .com e .br), matérias não assinadas, textos cheios de opiniões e discursos de ódio ("haters") e sites com propagandas por toda parte (ads do Google, por exemplo) costumam ser reprodutores de "fake news". Cuidado também com o "clickbait" título chamativo que caça cliques e compartilhamentos nas redes sociais. Além disso, desconfie de matérias com muitos erros de português.

A pressa é inimiga da perfeição e da verdade. Em contraposição ao 1º de abril, conhecido como o dia mundial da mentira, foi criado o Dia Internacional da Checagem de Fatos, 2 de abril. O objetivo é incentivar a prática da verificação das informações para combater a disseminação de notícias falsas. As eleições estão chegando. Duvide! Verifique! Não seja cúmplice!

Alexandre Guimarães é jornalista, professor e servidor público. Contato: professoralexandreguimaraes@gmail.com

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