A televisão | Gazeta Digital

Terça, 17 de abril de 2018, 00h00

A televisão

Oliveira Jr.


O ano era 1988; José Sarney era o presidente da república; Cazuza, George Michael e o LP com o tema do filme Dirty Dancyng eram os discos (ainda em vinil) mais vendidos; o Bahia era o campeão brasileiro, o Corinthians levantava o caneco no Paulista e o Mixto no Mato-grossense. Chico Mendes era assassinado em Xapuri; o judoca Aurélio Miguel era medalha de ouro nos Jogos de Seul e um temporal destruía o Rio de Janeiro, com dezenas de mortos. Na televisão, Bebê a Bordo era a novela mais assistida e, em Cuiabá, a audiência televisiva se dividia entre as afiliadas da TV Globo, Bandeirantes e Manchete. Foi nessa época que, levado pelos colegas Jota B (cinegrafista), Laércio de Arruda e Macedo Filho, iniciei meu trabalho na televisão. E lá se foram 30 anos.

Macedo comandava o líder em audiência Poliesportes, exibido ao vivo na TV Brasil Oeste-Canal 8, via satélite, para todo o Estado. O prestígio do programa era tamanho, que a equipe era tratada como autoridade onde ia. Coube ao cinegrafista Dalves Martins "Bolinha" fazer o teste com o então repórter de rádio, que tinha apenas 18 anos. Eu trabalhava na Rádio Industrial de Várzea Grande - veículo integrante do Grupo Futurista - que detinha ainda o Jornal o Estado de Mato Grosso e mais tarde a Antena-1 FM. Bolinha me levou com o motorista Paelo até o estacionamento do Estádio Verdão, onde haveria uma corrida de kart. Contei até três e comecei a falar. Cansado de segurar a câmera, Bolinha não titubeou e soltou o alerta: "Isso aqui não é rádio. TV é imagem, faça um resumo". Daí pra frente foram incontáveis coberturas, não só no automobilismo regional, como em outros estados e países, que conheci graças a essa profissão apaixonante.

Naquela época os cinegrafistas sofriam. Carregam câmeras, ainda no sistema U-matic, que pesavam uns 30 quilos, além do gravador gigante ao lado, cujo cabo ligado à câmera, volta e meia desarmava, quando não se rompia. O carro da equipe era uma kombi do tipo furgão, sem janelas atrás e o rango era uma marmita da Recanto Gaúcho. Cobríamos de corrida de cavalo na Fazenda Samambaia, em Chapada, ao motocross no Nortão além, é claro, do futebol e os esportes olímpicos e muitos eventos ao vivo, como o futsal, nos bons tempos de ginásios lotados.

Depois dessa escola fui contratado pelo SBT (na época TV Cidade Verde) para comandar o departamento de esportes e acabei virando apresentador de telejornal em 1992. De lá, fui para a então caçula TV Gazeta (hoje Vila Real-Canal 10); sempre tendo no rádio, no jornal impresso e a internet como outras ocupações.

É impossível enumerar a quantidade de reportagens gravadas ao longo dessas três décadas e as transmissões ao vivo, mas me arrisquei então a chutar por baixo, num breve cálculo que soma a média de três produções diárias, multiplicadas por 30 anos, chegando ao número de 31.500 reportagens que vão desde peladas em bairros da periferia, posses de governadores, prefeitos, até coberturas de grandes eventos esportivos como o Rally Dakar, a Copa do Mundo de 1998 e mais de duas décadas de Copa Gazeta de Futebol Master.

O melhor de tudo, quando se olha para trás, é ver que aquele apelo ao poder público, seja por segurança ou saneamento, por comida ou educação, resultou em atendimentos aos anseios da sociedade; que criminosos denunciados foram condenados e colocados atrás das grades e que os mais necessitados, que gritavam na multidão, foram ouvidos.

A televisão chegou ao Brasil em 1950 e uma década depois a Cuiabá. Pena que, ao longo desses anos, venha perdendo seu verdadeiro papel e tenha sido utilizada para disseminar ideias e conceitos que em nada lembram o verdadeiro papel da imprensa.

Oliveira Júnior é jornalista em Cuiabá, repórter da TV Vila Real, e completa 30 anos de televisão em 2018.

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