Com saúde não se brinca | Gazeta Digital

Quinta, 17 de maio de 2018, 01h30

Editorial

Com saúde não se brinca

Da Editoria


Cirurgia plástica sempre foi um tema muito polêmico e que vai além do que mudar e como mudar. A quantidade de silicone escolhida ou de gordura retirada, isso já nem abala tanto. Hoje em dia, o que mais se discute, são os riscos de onde escolher fazer a cirurgia. Até poucos dias atrás, em Mato Grosso o grande "fantasma" pairava sobre as cirurgias plásticas realizadas na Bolívia. São anos que brasileiras, inclusive mato-grossenses, cruzam a fronteira para realizar os sonhos de mudanças no corpo no país vizinho. Os acertos, quase sempre via internet, nem sempre trazem o resultado esperado.

O fato é que a maioria fica satisfeita. Uma minoria, bem pequena mesmo, morre lá mesmo, nos centros cirúrgicos frios, sem equipamentos necessários ou profissionais realmente especializados. Estes dados, embora pequenos, é claro que assustam, mas digamos que fazem meia dúzia desistir da ideia. Outra parcela destas brasileiras que se arriscam voltam e, após algum tempo, enfrentam consequências graves, de rejeição de implantes ou de infecções gravíssimas. Geralmente, estes últimos casos não viram públicos pois a dificuldade que estas mulheres possuem em conseguir garantir a vida é absurda. Os cirurgiões plásticos brasileiros, inclusive os cuiabanos, são enfáticos ao afirmar que não "arrumam" problemas decorrentes de plásticas feitas na Bolívia, pois ao final podem acabar sendo responsabilizados pelos problemas causados lá no país vizinho. Ao tentar "salvar" uma cirurgia, um médico pode levar a culpa pela perda de um seio ou até mesmo de uma vida. Por isso, a resistência em corrigir coisa malfeita.

Só que há muito tempo se sabe que não é só na Bolívia que mora o perigo. Em Cuiabá, há pouco mais de 10 anos, uma jovem, com um corpo perfeito, na busca de uma perfeição que basicamente só ela enxergava ter que alcançar, morreu após passar por vários procedimentos em uma clínica estética que não possuía Unidade de Terapia Intensiva. Os laudos comprovaram que ela foi vítima de erro médico e o profissional, condenado à prestação de serviços em um hospital local por um ano, continuou atuando normalmente e hoje, provavelmente, suas clientes nem saibam do que cometeu no passado.

Esta semana, uma outra jovem, também nesta busca do corpo perfeito, morreu após dois procedimentos feitos em um hospital que não tinha UTI. Neste caso, ela recorreu a um programa popular de cirurgia plástica pela internet. Para começar a ser atendida neste programa, a paciente precisa pagar R$ 50 para entrar em um grupo de whatsapp. Ainda não se pode falar em erro médico, mas também não se pode falar em "caso do destino" como pretende a empresa. Só os laudos médicos poderão confirmar a causa da morte.

Antes de mais nada, é importante ressaltar que a própria Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica ressalta que o paciente precisa ter uma espécie de parceria com o seu cirurgião, pois a relação deve continuar após os procedimentos, mesmo porque os resultados da maioria das cirurgias plásticos são permanentes, porém podem ocorrer mudanças com o passar do tempo. Por isso, a Sociedade Brasileira alerta que as visitas regulares de seguimento da cirurgia são tão importantes.

No caso do programa popular de cirurgias, os médicos não são de Cuiabá e apenas vêm até a capital realizar as cirurgias, em um espaço alugado.

Preços mais baixos nem sempre significam economia. Bons negócios pela internet nem sempre significam sucesso. Antes de qualquer coisa valem aquelas expressões: com saúde não se brinca e todo cuidado é pouco.

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