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27.07.2018 | 00h00

Eleições e o meio ambiente

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Muitas pessoas, incluindo a grande maioria dos candidatos aos cargos executivos e legislativos estaduais, federais e a grande mídia, acreditam que só existem três grandes problemas ou desafios em nosso país que são a violência, que está extremamente generalizada em todos os quadrantes do Brasil, a saúde pública que é uma vergonha, um caos que afeta e mata milhões de pessoas desrespeitando um dos mais sagrados direitos humanos que é o direito à vida e à dignidade do ser humano e também nossa educação pública que, além de um caos, também ostenta os mais baixos índices perante os demais países desenvolvidos e emergentes.

Todavia, existem dezenas de outros problemas extremamente graves e que vêm sendo empurrados com a barriga, como costuma-se dizer, pelos nossos governantes que estão muito mais preocupados com seus esquemas de chegada às estruturas ou manutenção do poder e, a partir daí, se locupletarem em associação com empresários corruptos, assaltando e roubando os cofres públicos, surrupiando, impunemente preciosos e vultuosos recursos econômicos e financeiros que tanto fazem falta para a implementação das políticas públicas que seriam necessárias para minorar o sofrimento do povo e proporcionar melhores níveis de vida, de crescimento econômico e de desenvolvimento nacional sustentável.

Eu gostaria de destacar neste artigo/reflexão, de forma resumida, alguns aspectos relacionados com o meio ambiente que vêm sendo neglicenciados tanto pelas autoridades, dos três poderes, federais, estaduais e também municipais quanto pela população em geral.

Como exemplo temos a degradação ambiental em geral, incluindo a poluição urbana, o desmatamento e destruição dos biomas amazônia, cerrado, caatinga, pampas, Pantanal e mata atlântica, destruindo a biodiversidade, o solo, subsolo e afetando seriamente as águas das três principais bacias do país: Amazônica, Paraná/Paraguai, São Francisco. O desmatamento, aliado às queimadas e o uso/abuso de agrotóxicos, além de afetarem os ecossistemas e contribuírem para a produção de gases de efeito estufa e as mudanças climáticas, também afetam gravemente a saúde da população.

Outro problema/desafio extremamente grave é a questão do saneamento básico, incluindo a universalização de água tratada e, principalmente, a coleta e tratamento de esgotos, condições necessárias para que existam uma boa saúde e qualidade de vida para a população e o Brasil possa honrar, até 2030, os compromissos que assumiu perante a ONU na implementação dos objetivos do desenvolvimento sustentável.

Ainda existem mais 12 milhões de habitantes, principalmente nas periferias dos grandes centros urbanos e também nas pequenas e médias cidades que não têm acesso à água tratada, contribuindo para o agravamento da saúde pública.

Pior do que a falta de água tratada é o problema/desafio da falta de saneamento básico, a coleta e tratamento de esgotos, mais de 62 milhões de habitantes não têm acesso aos serviços de coleta de esgotos e mais de 100 milhões não têm acesso a tratamento de esgotos, chegando em alguns municípios e até mesmo capitais em que este deficit é superior a 95% da população.

Dos esgotos que são coletados, menos de 30% são tratados, ou seja, são lançados diretamente em valões, córregos, rios, lagoas e o oceano, tornando a paisagem brasileira em um mar de esgotos como o que acontece na Baía da Guanabara ou em Cuiabá e Várzea Grande, o maior aglomerado urbano de Mato Grosso, cujos córregos e o próprio rio Cuiabá, que já se transformaram e irão se transformar no maior esgoto a céu aberto na região Centro-Oeste, destruindo de morte o Pantanal, um patrimônio do Brasil e da humanidade.

De acordo com os dados do último relatório do Instituto Trata Brasil de 2018, Cuiabá tem apenas 51,4% de coleta de esgoto e, deste total, apenas 30,9% são tratados. A média anual de ampliação da coleta e tratamento de esgoto em relação à universalização deste serviço essencial tem sido de apenas 0,48% ao ano. Isto nos leva à seguinte conclusão: para que a coleta de esgoto seja universalizada em Cuiabá serão necessários 101 anos e para a universalização do tratamento de esgoto, nada menos do que 135 anos. Ou seja, só depois dos 400 anos de Cuiabá. Em Várzea Grande a situação também não é muito diferente, para universalizar a coleta serão necessários 59 anos e para universalizar o tratamento, nada menos do que 122 anos.

Mesmo assim, nossos políticos e governantes, muitos dos quais já estão na vida pública há mais de duas ou três décadas, ainda têm a coragem ou a cara de pau, durante as eleições, de andar pela periferia urbana ou rural prometendo grandes realizações, enganando a boa fé da população humilde que sofre ante tantos descasos. Parafraseando o jornalista Boris Casoy, "isso é uma vergonha", um verdadeiro descalabro, um acinte diante do sofrimento do povo.

Juacy da Silva, professor universitário, aposentado da UFMT, mestre em sociologia, articulista e colaborador de diversas veículos de comunicação. Email professor.juacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com

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