Mães de adolescentes infratores denunciam transferência sem aviso e espancamentos | Gazeta Digital

Sexta, 25 de agosto de 2017, 10h18

Criminalidade

Mães de adolescentes infratores denunciam transferência sem aviso e espancamentos

Keka Werneck, repórter do GD


Gazeta

Atualizada às 12h46 - Mães de adolescentes infratores menores de 18 anos, que estavam internados no Complexo do Pomeri, na capital, acusados de crimes como roubo e homicídio, reclamam que eles foram transferidos para Rondonópolis (212 Km ao Sul de Cuiabá), há cerca de 15 dias, sem qualquer aviso à família.

Elas também denunciam agressões e maus tratos contra os filhos tanto na capital quanto em Rondonópolis.

Alegam que, na condição de mães, reconhecem que os filhos erraram e devem pagar pelos erros cometidos, mas não sendo agredidos, espancados e longe de casa, onde não podem receber visita.

Mães de 5 adolescentes que estão nesta situação fizeram a reclamação pelo whatsapp do Gazeta Digital.

Uma delas, que tem uma pequena distribuidora de água no bairro Jardim Imperial, em Várzea Grande, Suzana Custódio da Rosa, 37, afirma que ficou sem informações sobre o paradeiro do filho, de 15 anos, e que isso a deixou muito preocupada. O rapaz responde por roubo.

"Você acha isso justo com uma mãe?" - questiona.

Suzana alega que não perdeu as esperanças de retirá-lo do mundo do crime mas que não vai ser assim, expondo o rapaz a violências no sistema prisional, que vai conseguir. O medo dela é que saia pior do que entrou.

"Meu menino foi para o crime por causa de amizades erradas. Tenho outro, de 16 anos, também acusado de roubo, no Pomeri. Converso demais com os dois, falo que estou com ele para o que der vier e tento mudar o comportamento deles", comenta a mãe.

Sobre métodos disciplinares do Pomeri, denuncia que agente prisional espanca e destrata os internos na rotina. "Ele deu um tapa na cara do meu filho, fez ele dormir com algemas nas mãos e pés, ficou cheio de hematomas", lamenta.

Em Rondonópolis, para onde viajou com ajuda financeira de amigos, espera visitá-lo amanhã, terça-feira (26).

Outra mãe, diarista, moradora do Centro da capital, preferiu não se identificar. "A gente se expõe e depois não consegue trabalho", ressalta.

O filho, de 16 anos, que responde por roubo e homicício, está com a mesma cueca há 16 dias, assim como outros 2 da Grande Cuiabá, mais 1 infrator de Campo Verde e outro de Cáceres, porque saíram apenas com a roupa do corpo, acreditando que iam para uma audiência.

Outra mãe, de Joara (709 Km à Médio-Norte de Cuiabá), viajou até a Unidade Socioeducativa de Rondonópolis - "sem poder" - preocupada com o filho, porque quando os transferidos chegaram houve confronto.

O filho dela tem 17 anos e está há 4 meses cumprindo medida socioeducativa por matar um outro adolescente a pedrada.

Demonstrando estar muito chateada, não quis informar detalhes sobre as circunstâncias do crime. "Não gosto de falar nisso", alega. Aos 38 anos, trabalha em um frigorífico local e mora com a filha de 20 anos, "que não dá qualquer tipo de problema".

Em Rondonópolis, assegura que o filho levou choque elétrico e murro nas costas. "Falei com ele pessoalmente, está abatido, machucado. Me disse que não queriam a presença dos tranferidos, por isso o confronto", explica.

O defensor público do Núcleo de Infância e Juventude de Cuiabá, que vem acompanhando o caso, Marcio Bruno, deestaca que entrou com pedido de Habeas Corpus, questionando a autorização dada pelo Judiciário em 1ª instância, em favor de 5 adolescentes infratores transferidos, mas foi negado liminarmente pelo Tribunal de Justiça, que ainda vai julgar o mérito da questão, após parecer do Ministério Público.

"Fato é que até agora não sei e nem o Ministério Público sabe o motivo da transferência. O TJ pediu informações sobre isso", explica o defensor. "Nem as mães nem a defesa foram informados e isso está errado".

Segundo ele, embora parte da sociedade queira ver infratores menores de 18 anos pagando por crimes na mesma condição de adultos, até agora a legislação os trata de maneira diferente. "Quer queiram ou não, isso é importante, visando uma possível recuperação e mudança de conduta", argumenta o defensor.

A Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), responsável por todo o sistema prisional, informou que essa transferência tem relação com a reforma em uma das alas do Pomeri e que não é definitiva. Disse ainda que quem notifica a família sobre isso é a Justiça.

Quanto às denúncias de agressão contra os adolescentes, a Sejudh disse que vai apurar.

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