Jovem que perdeu a perna 'sonha' com prótese para retomar a vida | Gazeta Digital

Terça, 26 de setembro de 2017, 11h08

Jovem que perdeu a perna 'sonha' com prótese para retomar a vida

Keka Werneck, repórter do GD


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'Não quero dinheiro, só a prótese', afirma  Luiz Henrique

Aos 23 anos, o jovem Luiz Henrique da Silva Cabreira, de Várzea Grande, passou pela traumática experiência de se acidentar e ter que amputar uma perna e agora, 1 ano depois, inicia campanha para conseguir uma prótese para recomeçar.

Assim como a perna, a vida dele ficou parcialmente dilacerada, desde o acidente de trânsito que ele sofreu, dia 5 de junho do ano passado, em uma rua próxima ao Pronto-Socorro Municipal de Várzea Grande (PSMVG). Era um domingo à noite. Ele voltava da casa dos pais em direção à casa dele. Após uma semana "puxada" - entrando na faculdade às 6h, saindo ao meio dia e engatando no trabalho, quase sem tempo para almoço, das 12h às 22 h - dormiu ao volante. "Eu vi uma luz branca forte e apaguei. Quando acordei, já estava operado, com ferros na perna, e um monte de outros pacientes ao lado", relata.

Desacardado, ele foi encaminhado pelo Samu ao Pronto-Socorro de VG. Lá, reclama que, pela lotação, o atendimento foi ruim. "Fiquei 2 dias sem me darem água, sem trocar o curativo e meu pé necrosando e eu não sabia nem quem era meu médico e disseram que iam amputar minha perna mas não davam uma data certa", relembra a angústia do pior momento. "Minha família fez galinhada, fez rifa, mas me tirou de lá e levou para uma clínica particular, onde amputei a perna 4 dedos acima do joelho, na altura do fêmur".

Quando soube que ia ficar sem a perna, Luiz Henrique, que trabalhava na secretaria de uma faculdade privada e era dançarino de um grupo sertanejo, evitou entrar em pânico. "Fiquei preocupado, mas não entrei em desespero, chorei por dentro, olhei para toda aquela gente internada, pensei que o importante é estar vivo e não entrei em depressão".

Uma coisa triste que aconteceu, segundo ele, no período de recuperação, é que a mulher, com quem ele tem 1 filho pequeno, se separou dele. "Como eu não podia trabalhar e fazer as coisas e precisava ainda de muito acompanhamento médico e ela com nosso filho pequeno, tivemos que sair da nossa quitinete e eu voltei para casa dos meus pais e ela para dos dela e acabamos separando", lamenta.

Outra coisa que ele lamenta é o afastamento de boa parte dos amigos. "Só alguns ficaram. Mas meus maiores amigos são meus pais, que inclusive foram conversar com minha minha ex-mulher para tentar fazê-la mudar de ideia. Ela não suportou a situação e quis terminar mesmo. Para voltarmos, preciso trabalhar", explica. Ele está licenciado pelo INSS e usa muletas.

Com a prótese espera também voltar a fazer judô e a jogar bola e quem sabe investir em uma carreira como atleta paralímpico. "Gosto muito de esportes".

Luiz Henrique faz fisioterapia no Centro de Reabilitação Integral Dom Aquino Corrêa e também da Univag.

No Centro, vai toda semana assinar um documento de que ainda está na fila de espera da prótese.

O Gazeta Digital questionou à Secretaria de Estado de Saúde (SES) quando ele será atendido com uma prótese e a SES mandou a seguinte nota.

"O CRIDAC informa que o paciente é uma das 700 pessoas que estão na lista de espera por uma prótese que é fabricada pela Oficina Ortopédica da Instituição. Essa lista de cadastramento para a concessão da prótese segue uma ordem cronológica.

Nesse período, o CRIDAC aguarda a conclusão do processo licitatório realizado pela Superintendência de Aquisição da Secretaria de Estado de Saúde para a compra de insumos para a confecção do material ortopédico.

Tão logo os insumos sejam comprados, a Oficina poderá concluir a fabricação das próteses e fazer a concessão aos usuários.

O próprio CRIDAC manterá contato com o paciente cadastrado para informá-lo da data de entrega do material."

Outra forma dele conseguiu a prótese é pagando por uma, só que é cara, cerca de R$ 30 mil. "Quem sabe consigo com alguém que tenha condições financeiras", comenta, alimentando esta esperança. "Não quero dinheiro, somente uma perna de volta, para refazer minha vida".

Telefone para contato: 65 9260-3216.

Esta matéria foi produzida através de uma sugestão enviada pelo WhatsApp do Gazeta Digital. Para enviar sugestões, fotos e vídeos o número é (65) 9 9987-2065.

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