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Economia - A | + A

02.10.2016 | 16h41

Fortalecer comércio e setor de serviços

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Chico Ferreira/A Gazeta

Como manter o crescimento econômico com distribuição de renda? Nas duas maiores cidades de Mato Grosso, os prefeitos eleitos assumirão suas funções com o desafio de equilibrar receitas e despesas em um cenário (ainda) de crise econômica nacional. Antes do tricentenário da Capital, em 2019, espera-se a melhora dos indicadores.

Em Várzea Grande, cidade metropolitana que completará 153 anos em 2020, quando termina o mandato do gestor que assumir em 2017, parte dos problemas e oportunidades verificados em Cuiabá se ramificam por lá.

Os moradores das duas cidades comungam da expectativa - renovada a cada eleição - de viver em uma cidade com mais oportunidades de trabalho, de educação, com mais segurança, saúde e lazer. E, para isso, será preciso fortalecer as atividades econômicas existentes e estimular novas, de modo a gerar emprego que aumentará a renda, o consumo e a arrecadação.

Atrair investimentos que fomentem a industrialização, o turismo e a prestação de serviços é uma medida que requer prioridade na agenda dos prefeitos locais para evitar o encolhimento econômico das duas cidades vizinhas, segundo os especialistas ouvidos pela reportagem.

Como avalia o historiador Alfredo da Mota Menezes, os candidatos se esquecem de defender e, depois de eleitos, de trabalhar com afinco pela robustez da prestação de serviços. Tal como se afirma que a agropecuária tornou-se a vocação econômica de Mato Grosso, o setor de serviços apresenta potencialidade de contínua expansão na região metropolitana e sem atravancar outras atividades. “Temos as melhores universidades, clínicas, especialidades médicas e máquinas de diagnósticos. Comércio maior, diversificado e competitivo”, exemplifica.

Interliga-se à prestação de serviços também o turismo, que pode ser atrelado a eventos empresariais, inclusive voltados para o agronegócio, prossegue Menezes. “(É preciso) Aproveitar a história da cidade, sua arquitetura de 300 anos, comida e danças típicas, linguajar. Oportunizar que Cuiabá seja a passagem qualificada para turistas irem ao Pantanal, Nobres ou Chapada”.

Ele observa que além da fronteira mato-grossense, capitais vizinhas do Planalto Central investiram no fomento desse setor. Para ele, é plausível ambicionar para Cuiabá o título de Capital do Agronegócio. “Tudo isso beneficiaria o comércio e os serviços”. Especialmente se a Capital tornar-se um ponto de ligação entre os países andinos e o restante do Brasil. “(Os visitantes) viriam para cá em voos normais para turismo ou negócios, e daqui para Brasília a outros lugares do Brasil. Daqui iria para Santa Cruz para ir, digamos, a Lima ou Cuzco, sem necessidade de passar por São Paulo. Se poderia ainda ir a Santa Cruz e dali para os Estados Unidos”.

A percepção de que os candidatos não priorizam o desenvolvimento econômico das cidades é compartilhada pelo economista e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Benedito Pereira. Ele entende que em Cuiabá e Várzea os futuros gestores públicos precisam apoiar a agricultura familiar, a industrialização dos produtos agrícolas e o turismo. “Historicamente somos importadores de hortifruti. Então essa produção deveria ser estimulada, inclusive de alimentos orgânicos, para dar mais alternativas e inserir quem está à margem do processo produtivo. Fortalece o campo, reduz o êxodo rural e o número de favelas nas cidades”, resume.

Otmar de Oliveira

Várzea Grande precisa recuperar importância econômica. Município é conhecido por Cidade Industrial

Para o economista, é equivocado esquecer os produtos originados da agricultura tradicional e atrelar o desenvolvimento econômico estadual e municipal ao cultivo de grãos, em especial da soja, milho e algodão. Em relação ao fomento à industrialização, o professor vê como a alternativa para que Cuiabá e Várzea Grande recuperem a importância econômica no Estado. “Cuiabá está perdendo relevância na economia estadual para outros municípios que vêm crescendo mais. Para reverter essa situação é preciso estimular a economia, industrializar”. Nesse sentido, é preciso focar em dirimir as desigualdades regionais, investir na formação de recursos humanos, na instalação de parques industriais e tecnológicos.

Contudo, os velhos problemas continuam a desafiar os gestores públicos, complementa o professor da faculdade de Economia da UFMT, Antonio Ricardo de Souza. Os eleitores (ainda) anseiam por medidas que mitiguem a violência, melhorem as condições da saúde pública - incluindo saneamento básico nas periferias - e dos serviços educacionais, pontua Souza. “Na realidade necessita-se urgentemente da presença física do Estado nas periferias. Tais problemas são questões multidisciplinares que dependem de um conjunto de ações nos locais onde mais se precisa da presença do Estado”.

Também se apresenta como um desafio aos governantes a falta de dinheiro para investimentos em infraestrutura e formação de capital intelectual, para melhorar e aparelhar a administração pública. “É preciso haver uma agenda de governo que contemple os 4 anos que o gestor ficará à frente do município e, também, uma agenda política para estabelecer a governabilidade”.

Também será preciso resolver os problemas viários nas duas cidades, que incluem viadutos mal feitos e pontos de estrangulamento de tráfego, lembra o economista Manuel Marta. “Assim como todo mundo, eu esperei o legado da Copa. Mas, fico com a impressão de que nunca se abriu um mapa da cidade para se fazer um planejamento adequado”, critica. Como diz Marta, a cidade cresceu, se esparramou por loteamentos com uma série de problemas e que passam a demandar serviços públicos como água e iluminação.

Sob o aspecto econômico, ele percebe a falta de estímulo para o turismo e eventos. “A economia da Capital continua baseada no comércio e serviços, mas faltam opções culturais. Não tem um city tour pela cidade”. Ele também condena a falta de estímulo à agricultura familiar, que não dispõe de tecnologia apropriada e tampouco de beneficiamento de produtos. “Em Várzea Grande montaram uma central de comercialização para o pequeno produtor que não funciona”.

E, por falar em beneficiamento de produtos, Marta se define como um defensor da industrialização. “Antigamente havia a limitação da energia, mas hoje há fontes variadas. Agora, os industriais dizem que faltam incentivos. Acho que precisa resolver questões tecnológicas, qualificar mão de obra. Hoje há prioridades definidas para o agronegócio”.
 

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