A incerteza aumentou, mas o que me interessa são as reformas e o ajuste | Gazeta Digital

Segunda, 19 de junho de 2017, 08h43

Economia

A incerteza aumentou, mas o que me interessa são as reformas e o ajuste


R7

Há um ano, quando assumiu, em 13 de junho, a presidência do Banco Central, o economista Ilan Goldfajn elegeu como principal bandeira uma inflação “baixa e estável”. A taxa acumulada em 12 meses, medida pelo IPCA, estava em 9,5%. Hoje, derrubada em grande parte pela recessão que assolou o País, baixou ao patamar de 3,6% (taxa de maio), e a economia “se estabilizou”. Condições suficientes para o BC garantir: o corte de juros continua. Ilan continua com um olho nos índices macroeconômicos e outro nas reformas para calibrar o ritmo da queda de juros. “A incerteza nas últimas semanas aumentou”, reconhece. “Mas, podemos ter as reformas e os ajustes avançando. E é só isso que me interessa, sob o ponto de vista do BC”, disse, em entrevista ao Estadão/Broadcast. A seguir, os principais trechos:

Um ano de Banco Central. Qual é o seu balanço?

Foto: Dida Sampaio/Estadão

Foi um ano em que a direção de política econômica mudou. Aí não é só uma questão de Banco Central, tem as questões econômicas, muitas reformas, muitos ajustes... A percepção, quando se olha o ano como um todo, é que, de fato, houve bastante avanço. Na questão do Banco Central houve mudanças relevantes. A começar por um dos objetivos principais do BC, que é a inflação. Quando eu entrei... eu mal sentei aqui e já estavam falando em meta de inflação ajustada. Basicamente, uma das nossas primeiras decisões foi não fazer uma meta ajustada, porque achávamos que a meta de 4,5% era possível de ser atingida. Na economia, estávamos no meio de uma recessão, com inflação. Hoje em dia temos uma economia, eu diria, que se estabilizou no primeiro trimestre. E perspectivas de uma recuperação gradual. A situação é diferente, porque aí a gente consegue, sob o ponto de vista da política monetária, entrar no período de flexibilização, que é nossa linguagem para redução da taxa de juros. O que se discute hoje é a velocidade, o ritmo e a extensão. Mas não se discute se a inflação ainda está alta, se tem que subir juros.

A avaliação do BC é de que a recessão acabou?

Eu diria... Vimos no primeiro trimestre um crescimento razoável, de 1%. Uma parte importante deste crescimento tem a ver com o setor agrícola, mas tem a outra parte que indica que pelo menos houve uma estabilização. A gente olha para frente e acredita que existe a possibilidade de uma recuperação gradual, ao longo deste ano. Bancos centrais falam de possibilidades, não é uma diminuição de nada, é simplesmente porque temos que tomar decisões, Copom, ou outras decisões, em que a gente sempre vai observar a atividade, se ela está recuperando gradual, se mais lento, mais rápido. É o risco que a gente tem colocado.

A crise política mais recente atrapalhou o roteiro traçado pelo BC?

Trabalhamos no BC sempre com as questões econômicas e técnicas. Desde o primeiro dia (da crise) me perguntaram: “o que vocês vão fazer?” Vamos fazer a questão técnica... tentamos trabalhar da melhor forma. Tenho avaliado a consequência dos últimos eventos e as reformas e ajustes... São diferenças importantes. Podemos ter as reformas e os ajustes avançando, e é só isso que me interessa, sob o ponto de vista do BC. A incerteza nas últimas semanas aumentou. Mas é possível que venha a diminuir, acho que estamos vendo algumas reformas avançando, a trabalhista está saindo da comissão, isso significa que a incerteza diminui. Vamos ter que observar como anda a reforma da Previdência.

Quais os canais de transmissão desta incerteza para o Banco Central? Quais as possibilidades de contaminação?

São as mesmas que estamos falando há um ano. Só que falávamos do “lado do bem” e é mais fácil entender. Falávamos: “Olha, se tivermos ajustes, se as questões fiscais passarem, se as questões de produtividade passarem, o juro neutro estrutural da economia tende a cair. E quando ele tende a cair, sob o ponto de vista da política monetária, eu tenho mais espaço (para cortar juros).” Falamos isso desde o primeiro dia. É óbvio que às vezes nem tudo caminha sempre na mesma direção. E alguns momentos de incerteza maior leva a dúvidas sobre se as reformas estão caminhando na mesma velocidade que achávamos há um mês atrás. Aí o impacto é igual. O juro estrutural da economia pode... em vez de... nós estamos na perspectiva de que ele continue caindo, talvez não tão rápido. Talvez fique parado. É aí que entra na nossa avaliação.

O mercado já estava apostando numa velocidade e queda maior dos juros. A crise política influenciou a última decisão do Copom?

Houve de fato uma colocação nossa na reunião, não na última (maio), mas na penúltima (abril), em que a gente disse que estava discutindo qual o ritmo adequado (de corte da Selic), se é o ritmo daquele momento de redução, ou se as reformas andassem mais rápido, a gente estava até avaliando mudanças de ritmo, naquele caso... Mas, não tínhamos tomado nenhuma decisão. Inclusive, na própria semana que teve esse evento (delação de Joesley Batista), a gente até falou... Olha, estamos discutindo ainda... Eu até falei... olha, não toma isso como dado. Estamos avaliando. E no final das contas, a nossa decisão, a última, foi em linha com o que a gente tinha anunciado como uma das opções (corte de 1 ponto porcentual). E também nossa comunicação do que poderia vir para frente. Poderia, sempre na condicional...

Pouco tem se falado sobre a extensão do ciclo de corte de juros ou do ponto final do ciclo. Este ponto final foi alterado?

Eu diria que o ponto final depende de várias questões. Depende do juro estrutural, porque ele me diz se eu tenho mais risco na economia como um todo e, portanto, se posso convergir num juro real mais baixo, mais compatível com o resto do mundo. Neste caso, a extensão depende do juro neutro e depende de se há aumento de incerteza ou se a incerteza cai. Uma coisa é o juro estrutural, outra coisa é conjuntura – inflação, atividade... Nunca ligamos só para uma coisa.

O ponto final da queda da Selic não é pacífico? Está sob análise, assim como o ritmo?

A vantagem que tenho é que não preciso o tempo todo dizer exatamente isso. Vou avaliar como a inflação vai andar, como a atividade vai andar, como a taxa estrutural vai andar. Vou avaliando ao longo do tempo e tomando as decisões. A gente indica o caminho dizendo que ele depende do que acontecer na economia. Não é determinístico. “Se a inflação cair muito, se a atividade decepcionar, já está fechado...” Não. Se a coisa andar, vai influenciar também. No fundo, o que estamos dizendo é o seguinte: gostaríamos que a sociedade e o mercado entendessem como nós agimos, qual é a nossa reação. É isso que as pessoas têm que entender, porque ninguém conseguirá saber qual vai ser o futuro. Mas se souberem como a gente reage, vamos estar comunicando cada vez melhor.

 



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