20.08.2008 | 03h00
Um fato inédito aconteceu no Tribunal do Júri de Cuiabá, quando depois de mais de 12 horas de sessão o Conselho de Sentença foi dissolvido. Uma das juradas disse que "encontrava-se com medo de dar o seu voto, temia pela sua vida e de sua família caso réu fosse condenado". Afirmou ainda que estava com medo de sair do fórum após o julgamento e começou a chorar. Diante de tal situação a juíza-presidente Mônica Catarina Perri dissolveu o conselho e redesignou o julgamento para o dia 27 de novembro. O fato ocorreu na sexta-feira (15).
Com isso, mais uma vez o pecuarista Genildo Donizete Machado, 38, não resolveu sua situação perante a Justiça. Segundo o advogado do réu, Paulo Fabrinny Medeiros, essa seria a segunda vez que o cliente enfrentaria um júri, acusado de assassinato. Ele já havia sido levado à julgamento em março de 2004 pelo mesmo crime, quando foi absolvido por seis votos contra um. Mas a decisão foi anulada, a pedido do Ministério Público.
Segundo Eliane Traldi, assessora da juíza, o fato foi inédito e diante da recusa da jurada, expressa no momento exato que o conselho se reuniria para decidir pela condenação ou não, não restou alternativa senão dissolvê-lo. Lembra que foram cerca de 12 horas de sessão, com os custos de alimentação e da própria estrutura que demanda uma sessão destas desperdiçados. A juíza optou por dar uma advertência oral a jurada, que deveria ter externado sua posição já no início da sessão, pois são necessários os votos de sete jurados.
O advogado de defesa atribui ao Ministério Público a responsabilidade pelo ocorrido, ao associar o réu a ação do crime organizado, o que acabou trazendo medo coletivo aos membros do júri. Segundo Medeiros, o pecuarista é acusado de ser o autor de um assassinato no município de São José dos Quatro Marcos (distante 315 km de Cuiabá), de uma vítima não identificada. A ossada estava em uma propriedade rural que pertenceu a ele. Diz ainda que a principal testemunha de acusação, que seria em ex-funcionário do réu, que confirmou em juízo ter saído descontente do emprego, com o pagamento da rescisão.
Além disso, na época do suposto crime, que pode ter ocorrido no ano de 1998, a testemunha estaria presa, por abuso sexual de menores. Quando a ossada foi achada, no ano de 2000, o pecuarista já havia vendido a propriedade onde foram achados os ossos.
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