Cientistas detectam pela 1ª vez vírus em urina e sêmen de paciente | Gazeta Digital

Quinta, 08 de fevereiro de 2018, 14h25

Brasil

Cientistas detectam pela 1ª vez vírus em urina e sêmen de paciente


Estadao

Um grupo de cientistas brasileiros conseguiu detectar o RNA do vírus da febre amarela - isto é, seu material genético - na urina e no sêmen de um paciente com a doença. De acordo com os autores da nova pesquisa, a descoberta poderá ser útil para aprimorar os testes diagnósticos da doença.

Reprodução

O RNA do vírus é normalmente detectado no sangue de pacientes infectados, mas até agora não havia sido observado no sêmen e na urina. A nova pesquisa teve seus resultados publicados na ‘Infectious Diseases‘, revista científica dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) do governo dos Estados Unidos.

‘Nossos resultados sugerem que o sêmen pode ser um material clínico útil para o diagnóstico da febre amarela e indica a necessidade de realizar testes de urina e coletar amostras de sêmen de pacientes com a doença em estágio avançado‘, diz o artigo.

Esses testes poderão aprimorar os diagnósticos, reduzir os resultados falsos negativos e reforçar a confiabilidade dos dados epidemiológicos durante a atual e as futuras epidemias‘, escreveram os cientistas.

De acordo com o coordenador do estudo, Paolo Zanotto, pesquisador do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de São Paulo (USP), embora a descoberta também levante alguma preocupação - por mostrar que o vírus permanece no organismo por mais tempo do que se pensava - o seu impacto é predominantemente positivo.

‘É uma boa notícia, porque com a presença do RNA do vírus na urina podemos ter acesso a uma nova ferramenta diagnóstica. Outro aspecto positivo é que aumentamos nosso conhecimento sobre a biologia do vírus. O vírus da febre amarela já é estudado há quase 100 anos e ainda não se sabia que ele podia ser detectado na urina e no sêmen‘, disse Zanotto.

Os cientistas ainda não sabem quais as implicações da descoberta para a transmissão do vírus, mas Zanotto considera improvável que a presença do RNA no sêmen permita a transmissão sexual da febre amarela.

‘Se houvesse um mecanismo de transmissão sexual, já teríamos percebido, porque esse vírus é muito ativo na África e nunca surgiu nenhuma evidência. A transmissão sexual é muito fácil de constatar, porque quando ela acontecem aparecem muitos pares concordantes - isto é, casais que aparecem com a doença ao mesmo tempo. Nos ciclos urbanos do vírus na África não apareceram pares concordantes‘, explicou o cientista.

Segundo Zanotto, para que febre amarela seja transmitida a humanos, é preciso que o mosquito inocule o vírus na corrente sanguínea e que ele chegue ao sistema endotelial da pessoa. ‘Constatamos que o vírus é excretado pela urina, mas não há evidências de que ele possa chegar ao sistema endotelial por via sexual - o mosquito é capaz de fazer isso com muito mais facilidade‘, afirmou Zanotto.

Embora o RNA do vírus tenha sido encontrado também no sêmen, o cientista diz que ainda não é possível saber se o vírus é realmente excretado pelo sêmen, ou se a detecção ocorreu porque a uretra do paciente estava contaminada com o vírus excretado na urina.

Vírus persistente

Para realizar o estudo, os cientistas acompanharam um paciente de 65 anos de idade, que havia sido contaminado, mas não havia entrado na fase tóxica da doença. O paciente, morador de São Paulo, havia viajado para Januária (MG), no dia 28 de dezembro de 2016 e depois para uma área rural no norte da capital paulista, no dia 3 de janeiro de 2017.

Três dias depois, no dia 6 de janeiro do ano passado, o paciente começou a apresentar sintomas: febre, calafrios, dor corporal e náuseas. Os sintomas se agravaram durante mais três dias, com febre de até 40ºC, dores de cabeça, prostração, vômitos, tontura, anorexia, urina escura e gosto amargo na boca.

As amostras de urina e sêmen do paciente apresentavam o RNA do vírus em quantidade considerável, 15 dias e 25 dias após os primeiros sintomas de febre amarela. ‘Esperávamos que o vírus só pudesse ser detectado no organismo no máximo uma semana após o início da manifestação da doença‘, disse Zanotto.

Segundo o pesquisador, o caso estudado indica que o período de transmissibilidade do vírus é maior do que se pensava. Atualmente aceita-se que esse período tem início entre 24 horas e 48 horas antes do aparecimento dos sintomas e se estenderia por mais um período de no máximo uma semana após o início dos sintomas.

A confirmação clínica da infecção por febre amarela se baseia atualmente na detecção de RNA do vírus no sangue por sorologia, pela técnica de PCR de transcrição reversa (RT-PCR) ou pelo ensaio de imunoabsorção enzimática (ELISA, na sigla em inglês) - um teste que permite a detecção no plasma sanguíneo de anticorpos específicos, como a imunoglobulina M (IgM e IgG), que o organismo produz quando entra em contato com algum tipo de microrganismo invasor.

‘Quando uma pessoa com suspeita de infecção chega a um hospital, se a viremia (presença do vírus no sangue) já acabou, fazemos a sorologia para saber se ele foi infectado. Mas seria muito melhor ter a confirmação por meio de um teste de urina, porque não haveria risco de falsos negativos. Isso produziria diagnósticos mais precisos, mais rápidos e mais seguros, além de nos fornecer estatísticas melhores para compreender e combater a doença‘, disse Zanotto.

Além de Zanotto, participaram do estudo Carla Barbosa, Edison Durigon, Nicholas Di Paola, Marielton Cunha, Mônica Rodrigues-Jesus, Danielle Araújo, Vanessa Silveira, Fabyano Leal, Flávio Mesquita e Danielle Oliveira - todos da USP -, Viviane Botosso, do Instituto Butantan e Marcos Silva, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e da PUC-SP. 

Gazeta Digital também está no Facebook, YouTube e Instagram   



Aguarde! Carregando comentários ...


// matérias relacionadas

Sexta, 04 de maio de 2018

14:03 - Febre amarela registra 30 mortes em uma semana no Brasil

Sábado, 21 de abril de 2018

14:30 - Postos de saúde de SP abrem neste sábado para vacinação contra febre amarela

09:00 - Febre amarela continua se expandindo pelo país

Quarta, 18 de abril de 2018

19:30 - Vacinação contra gripe começa na segunda-feira em todo o País

Terça, 17 de abril de 2018

16:11 - Febre amarela matou 155 pessoas em Minas Gerais em 2018

Domingo, 15 de abril de 2018

09:31 - Sociedades médicas divulgam orientações sobre vacinação contra a febre amarela

Sexta, 06 de abril de 2018

19:00 - Parque do Ibirapuera terá sábado de vacinação contra a febre amarela

Quinta, 05 de abril de 2018

14:38 - Ministério revisa febre amarela e reduz número de casos e mortes

Quarta, 04 de abril de 2018

15:17 - Vírus da febre amarela começa a circular no litoral norte de SP

Quinta, 29 de março de 2018

10:05 - Febre amarela - Brasil confirma 1,1 mil casos e 338 mortes


// leia também

Quinta, 24 de maio de 2018

09:27 - Avião da FAB cai na rodovia Rio-Santos na altura de Itaguaí no Rio de Janeiro

09:23 - Operação da Polícia Federal e do Ibama ataca fraudes em madeireiras

Quarta, 23 de maio de 2018

17:30 - BRF suspende atividades em 4 unidades por causa da greve de caminhoneiros

16:00 - Caminhões tentam impedir saída de combustível da Refinaria de Duque de Caxias

15:24 - Protesto de caminhoneiros já deixa supermercados sem alimentos

09:52 - Eduardo Azeredo já é considerado foragido pela Justiça de MG

09:46 - Pelo 3º dia, rodovias de 17 Estados têm bloqueios de caminhoneiros

09:41 - Termina nesta quarta-feira o prazo para pagamento da taxa do Enem

Terça, 22 de maio de 2018

14:49 - Dois militares do Exército são presos em carro com armamento pesado

14:41 - Dinheiro recuperado pela Lava Jato vai para escolas públicas do Rio


 veja mais
Cuiabá, Quinta, 24/05/2018
 

Facebook Instagram


Fogo Cruzado
titulo_jornal Quinta, 24/05/2018
277143c492047e9092189af323a8546f anteriores



Indicadores Econômicos

Mais Lidas Enquete

Alta no preço dos combustíveis vem pesando no bolso dos brasileiros




Logo_classifacil









Loja Virtual