Quinta, 21 de agosto de 2008, 03h00

Unemat em Cuiabá ou Várzea Grande

Alfredo da Mota Menezes


Como é que se explica que não haja um braço da Universidade de Mato Grosso, Unemat, em Cuiabá ou Várzea Grande? Uma universidade pública, gratuita e mantida com o dinheiro dos contribuintes. Ela está em dez outros municípios e não se tem nada mais do que falatórios políticos de que ela um dia viria para uma dessas duas cidades.

Várzea Grande é considerada hoje a cidade das universidades particulares. Um município que tem levas de estudantes sem condições de pagar o ensino universitário e não tem um que seja gratuito.

Não dá para entender também por que a classe política, seja da banda de cá ou de lá do rio, ainda não colocou o povo na rua para pedir essa universidade. Os números mostram que é um direito tê-la no Vale do Rio Cuiabá ou, se preferir, na Baixada Cuiabana.

Segundo informações, a arrecadação do ICMS em Cuiabá é 41% do total arrecadado em todo o estado. Em Várzea Grande a arrecadação é 6% do total, segundo município arrecadador com 205 milhões de reais. O terceiro contribui com 103 milhões ou metade do que Várzea Grande colabora com o bolo estadual. Em palavras mais diretas: Cuiabá e Várzea Grande arrecadam 47% ou quase metade do ICMS do estado.

A Unemat recebe para sua manutenção 4,2% do ICMS arrecadado. Tem ainda outras fontes de ingresso, como 1,2% do imposto sobre produtos industrializados. Várzea Grande e Cuiabá são também dos maiores contribuintes com a arrecadação desse imposto.

A população de Cuiabá hoje, em números redondos, é de 550 mil habitantes. Várzea Grande tem algo como 250 mil ou um total de 800 mil pessoas vivendo nas duas cidades que margeiam o rio Cuiabá.

Se colocarmos os outros municípios do vale desse rio poderá chegar a mais de 900 mil habitantes na região. O estado possui hoje cerca de 2,8 milhões de habitantes. A região teria, portanto, 1/3 da população do estado. A proporção de eleitores é quase a mesma.

Frente aos números, não dá para entender por que a Unemat não está em um dos municípios-pólos da Baixada. O que está brecando isso?

1. Será que há pressão das universidades particulares desta região junto à classe política contra a vinda da Unemat para cá?

2. Será que a direção da Unemat tem receio de que se ela vier, Cáceres, hoje a sede dela, poderia perder essa hegemonia? A direção daquela universidade atuou fortemente para levá-la para outros municípios do estado e não mostra esse mesmo apetite em trazê-la para Cuiabá ou Várzea Grande.

3. Como se explica que a classe política não tenha feito desse assunto um campo de batalha política?

4. Ou será que a divisão de forças na atuação dos políticos, com seus respectivos interesses eleitorais, uns defendendo sem muita força Cuiabá e outros Várzea Grande, é que enfraquece um suposto movimento? Por que então não juntar forças em torno de uma cidade?

5. Como se explica também que não há uma movimentação dos estudantes, principalmente das escolas públicas, nas duas cidades para pedirem a Unemat nesta região? Eles sabem que a UFMT não pode absorver a quantidade de jovens em condições de cursar o ensino superior. Os estudantes promovem tantas ações por tantas outras coisas e nada para ter mais uma universidade pública aqui.

Será que não há ninguém ou nenhum grupo interessado em empunhar essa justa bandeira? Uma indiferença incompreensível.

Alfredo da Mota Menezes escreve em A Gazeta às terças, quintas e aos domingos. Email: pox@terra.com.br/Site: www.alfredomenezes.com



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