Fome oculta, uma realidade no Brasil | Gazeta Digital

Quinta, 09 de abril de 2015, 02h00

Editorial

Fome oculta, uma realidade no Brasil

Da Editoria


O velho e bom feijão continua sendo a preferência nacional na mesa do brasileiro, conforme pesquisa divulgada nesta terça-feira ( 07), pelo Ministério da Saúde que faz parte de um estudo da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2014. O consumo regular do grão em cinco ou mais dias da semana, representa 66% da preferência da população. E dos que podem comer carne com frequência, quase 30% ainda preferem as gordurosas.

Na contramão do que acredita o brasileiro em relação à qualidade da sua alimentação, um dado bastante preocupante, apenas 24,1% ingerem a quantidade de frutas e hortaliças,- 400 gramas diárias em cinco ou mais vezes por semana -, conforme recomenda a Organização Mundial da Saúde ( OMS).

Entre os homens, o percentual verificado no consumo de frutas e hortaliças é ainda menor: apenas 19,3% atendem às recomendações da OMS. Já entre as mulheres a porcentagem cresceu um pouco, mas ainda fica abaixo do que é recomendado, o consumo atinge 28,3% do total. Mais um equívoco na mesa tupiniquim.

A constatação é um alerta para o país, que enfrenta crise em quase todos os setores com estagnação sobretudo na economia. As consequências dessa má alimentação não é novidade, é muito cultural e está arraigada na sensação de saciedade que a maioria das pessoas se apega. Mas as consequências ficam muito claras quando nossas crianças, adolescentes e jovens não alcançam o desenvolvimento físico e intelectual mínimo proposto pela própria OMS. E quando a maioria dos nossos adultos e idosos dificilmente conseguem se manter ou concorrer em pé de igualdade com os chamados bem nutridos.

Uma em quatro pessoas no mundo, segundo ainda a OMS, sofre do que se chama de fome oculta, quando existe a carência crônica de vitaminas e minerais seja pelo baixo ou pelo mau consumo e aproveitamento dos nutrientes pelo organismo, um grave problema que afeta a saúde e o bem-estar.

Mesmo que a maioria dos brasileiros acredite que se alimenta bem, como revela a pesquisa Pesquisa Manifesto do Corpo Saudável, desenvolvida pela Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), que aponta para 68% dos pesquisados essa não é a realidade e uma mudança de hábito precisa acontecer nos lares brasileiros.

Embora poder consumir diariamente o popular arroz, feijão, salada e carne já seja um ganho para essa nação faminta, necessário se faz uma mudança nessa cultura alimentar que só enche a barriga, mas não alimenta de verdade.

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