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14.11.2016 | 00h00

A importância de farmácias vivas!

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A fitoterapia é uma importante opção terapêutica que se baseia em experiências populares via conhecimento empírico do uso tradicional das plantas medicinais com viés passado de geração a geração, sustentada nas comunidades humanas tradicionais, quilombolas, silvícolas... Porém sem a aquiescência cientifica.

Estima-se que 75% das drogas derivadas das plantas medicinais em utilização no mundo foram descobertos a partir de indicações de populações tradicionais (CRBIO, 93).

Fontes arqueológicas e antropológicas confirmam fatos significativos com o uso de plantas medicinais pelas civilizações antigas e durante todo o decorrer da evolução da humanidade até os dias atuais.

Os Assírios, por exemplo, conheciam cerca de duzentos e cinquenta mil espécies de plantas fitoterápicas. As famosas Tabuinhas Sumerianas registram o uso de erva curativas desde então.

Alexandre "o grande", costumava agregar aos seus despojos de guerra espécies vegetais medicinais para uso pessoal. Aristóteles escreveu tratados sobre ervas com princípios de ação emolientes, adstringentes e antipasmódica.

A medicina chinesa tradicional reconhece cerca de cinco mil espécies de plantas medicinais, dos quais quatro mil espécies já foram submetidas a algum tipo de estudo. A trigésima assembleia mundial de saúde (WHA-30-19) estabeleceu três diretrizes básicas, através das quais distribuiu seus princípios de ação para o uso de plantas medicinais. Pesquisas científicas comprovam que a biodiversidade brasileira é a maior e mais diversificada do planeta. Estudos mostram que se utilizados racionalmente estes recursos naturais nos proporcionará importante qualidade de vida e riqueza sustentável as futuras gerações. Então porque não as pesquisarmos e as utilizarmos com responsabilidade e racionalidade?

Ademais, dados estatísticos comprovam que, o Brasil importa atualmente sessenta por cento da matéria prima utilizada pela Indústria farmacêutica nacional, embora muitas destas substâncias ou similares poderiam serem extraídas da flora brasileira, paradoxal não? Cadê o incentivo a pesquisa cientifica no país?

É sabido que a relação do ser humano com as plantas medicinais data das mais remotas épocas, e que no mundo moderno a busca pelo natural se confunde com a preocupação de nossas próprias raízes. Então porque não rever com seriedade este tesouro natural e dele colher bons frutos?

É sabido que no momento que as pessoas utilizam seus próprios conhecimentos e manuseiam instrumentais estes se revigoram e trazem o beneficio que se estende a toda comunidade, está é uma lógica de extrema importância. Como diz Pires (1978), a história das plantas medicinais no Brasil mescla-se com a história da botânica e com sua própria história.

Ao analisarmos a flora mato-grossense, e sua grandeza no contexto nacional; com certeza encontraremos um rol muito expressivo de espécies vegetais autóctones, nativas fundamental à vida, que por sua vez são fartamente usadas na medicina caseira regional, conforme assegura Guarim Neto (1986). No entanto com a intensa pressão antrópica em profusão nas últimas três décadas sobre os ecossistemas mato-grossenses e por extensão amazônicos, põe em risco a vida nesses ambientes.

Com isso, inúmeras espécies vegetais ou até mesmo populações inteiras serão dizimadas sem que haja a "priori" um estudo mais acurado deste importantíssimo potencial nativo da flora brasileira. Evitar a depredação desses recursos resgatando esse imenso tesouro natural, é dever dos poderes constituídos cientistas, pesquisadores e de toda a sociedade humana do país. Fomentar a pesquisa cientifica implantar infraestrutura de apoio e logística, estimular a criação coletiva de farmácias-vivas, horta-caseiras, será um bom começo. Nos pesquisadores, cientistas e estudantes estamos fazendo nossa parte! E você?

Romildo Gonçalves é biólogo, professor pesquisador em Ciências Naturais da UFMT/Seduc e doutorando em Agricultura Tropical

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