Violência visível | Gazeta Digital

Segunda, 22 de maio de 2017, 00h00

Rosana Leite Barros

Violência visível

Rosana Leite


A pesquisa "Visível e Invisível: a vitimização de mulheres no Brasil", realizada pelo Instituto Data Folha, Instituto Avon e Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foi divulgada no dia 9 de maio do corrente ano. A pesquisa é nacional, e foi realizada em fevereiro de 2017.

Segundo apurado, pelo menos dois a cada três brasileiros e brasileiras já presenciou uma mulher sofrer violência. O estudo mostrou que 66% da população presenciou em 2016 mulheres sendo agredida física ou verbalmente. Foi detectado, ademais, que 73% da sociedade acredita que a violência contra a mulher aumentou nos últimos 10 anos. Os dados informam que 51% da população assistiu mulheres sendo tratadas nas ruas de forma desrespeitosa. Das mulheres entrevistadas, 40% já sofreu algum tipo de assédio. Elas afirmaram, 36%, que receberam comentários desrespeitosos ao andar nas ruas. Daquelas que fazem uso do transporte coletivo, 10,4%, o que corresponde a 5,2 milhões, já foram assediadas fisicamente em transporte público. Algumas, 5%, o correspondente a 2,2 milhões, já foram abraçadas ou beijadas sem o seu consentimento.

A análise ainda certificou que 503 mulheres foram vítimas de agressão física a cada hora em 2016, o que em número real significa 4,4 milhões. 29% das mulheres brasileiras relataram ter sofrido algum tipo de violência nos últimos 12 meses. Em se cuidando de raça, as agressões assim foram distribuídas entre o gênero feminino: 25% de brancas, 31% de pardas, e 32% de negras. Segundo os números mencionados: 22% das mulheres passam por violência verbal; 10% sofreram ameaça de violência física; 8% sofreram violência sexual; 4% passaram por ameaça com faca ou arma de fogo; 3% padeceram com espancamento ou tentativa de estrangulamento; e, 1% foram vítimas de arma de fogo.

Não foi observada grande diferença nas vítimas de violência, quanto ao grau de escolaridade que possuem. Os dados ainda demonstraram que conforme avança a idade da mulher, aumenta a proporção das agressões. Covardia?

A violência contra a mulher não aumentou, sempre existiu. Antigamente, o Poder Público pouco se importava em quantifica-lo. Com a preocupação mundial em diminuir toda e qualquer violência, desde a Declaração Universal dos Direitos da Pessoa Humana, que foi adotada pela ONU em 1948, começa a inquietação humana no enfrentamento à violência, principalmente com a difusão da fraternidade. Após, aconteceu a pretensão mundial em se diminuir a violência contra a mulher. Em 1979 sobreveio a Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher. Nos idos de 1995, ocorre a convenção interamericana, com o intuito de prevenir, punir e erradicar a violência contra a mulher, conhecida como "Convenção de Belém do Pará"

Crianças e adolescentes que convivem com a violência contra a mulher, no futuro próximo, cometerão o mesmo desrespeito.

A cultura machista é determinante para a criação e educação firmada pela desigualdade. A falta de compreensão sobre ideologia de gênero, bem como sobre equidade, educação e cidadania, faz com que o mundo ainda pense no formato masculinizado.

As mulheres refletem esses números, sendo grande a subnotificação. O desafio é a reversão do quadro exibido. Quem sabe um acordo de civilidade poderia resolver. Porém, somente surtiria efeito com muita boa vontade da sociedade inteira envolvida. Pais, mães, professores, professoras e profissionais de todas as áreas, no afã de erradicar essa tão temida discriminação, que faz tantas vítimas. Ficariam defesas piadas, músicas, propagandas, novelas, programas televisivos, filmes, entre outros, que depreciassem o gênero feminino.

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual e escreve às segundas-feiras em A Gazeta. E-mail: defensorarosanaleite@gmail.com

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