Quinta, 26 de maio de 2011, 03h00

Virou livro

Ipeca, poaia ou raiz-do-brasil

Da Redação


A obra Riquezas Lícitas de Mato Grosso, da técnica administrativa aposentada da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Graci Ourives de Miranda, será lançada hoje, às 18h30, no Salão Nobre do Palácio da Instrução, no Centro Histórico da Capital. De acordo com a autora, o livro é resultado de três décadas de estudos dedicados à planta Carapichea ipecacuanha. A obra possui cerca de 300 páginas de texto e fotos ilustrativas.

No livro, a autora transita durante o período poaieiro, que é o nome dado à pessoa que se dedica à colheita da Ipecacuanha, também conhecida como Ipeca, poaia ou raiz-do-brasil. Os locais de pesquisa foram Barra do Bugres, Cáceres e Rosário Oeste. A autora relembra as plantações da Ipeca no Estado, e as rotula como "jardim edênico", perpassando pela história da planta até chegar aos dias atuais. "Há 30 anos venho estudando a planta. Viajei para a Europa e Itália atrás de informações".

Ela conta que, no século 18, Mato Grosso já exportava a planta para a Europa e que, "em 1800, a Ipeca fazia parte do quadro exportador do Estado, sendo importada de Barra do Bugres e Cáceres rumo à Europa". Graci explica que uma das rotas de exportação partia pelo rio Paraguai, que possui navegabilidade pelo município de Cáceres, 215 km da Capital, passando por Corumbá, em Mato Grosso do Sul (MS), até a foz do rio Apa, que banha a fronteira entre o estado de MS e a república do Paraguai. A partir desse caminho, assim como muitos outros, a planta medicinal de origem brasileira ganhava o mundo.

Na obra, Graci "brinca" com as condições que a planta necessita para nascer e se reproduzir. "Chamo a Ipeca, carinhosamente, de lady, porque ela é especial e precisa de matas nativas para nascer". Lembra, ainda, que a ipecacuanha se desenvolve principalmente na América do Sul.

A Carapichea ipecacuanha ou Ipeca é uma planta que se encontra na composição de inúmeros remédios fitoterápicos, principalmente contra a tosse e a bronquite. É também encontrada nos medicamentos homeopáticos contra náuseas e vômitos. A parte que se utiliza para produzir os medicamentos é a raiz da planta. Outro efeito da raiz é a capacidade de agir em caso de intoxicação. Por ter efeito emético, ou seja, que estimula o vômito, ela pode ser útil em casos que se necessite expelir um produto nocivo.

"Em 1943, Corumbá era o rei da Ipeca. Com o passar do tempo tornou-se o rei do gado e agora da soja", explica a escritora sobre o motivo do desaparecimento da Ipeca em Mato Grosso. "Recordo que até o ano de 2002 havia pequenas plantações de Ipeca em Barra do Bugres". Diz, ainda, que a partir dos desmatamentos e da priorização da soja não foi mais dada a devida atenção à planta.

Como estudiosa do assunto, Graci Ourives objetiva, ao realizar a pesquisa, recuperar a plantação da Ipecacuanha no Estado, bem como fomentar, através do plantio, o resgate dos jovens envolvidos com o narcotráfico. "Há um grande motivo e importância para manter pelo menos uma parte dessa mata. Através da recuperação da biodiversidade, recuperaremos, também, os jovens tragados pelo narcotráfico das fronteiras, além da vida dessas pessoas, por meio do cultivo da plantação". "Essa é a minha luta", conclui a pesquisadora. (Com Asessoria)



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