Tudo que é sólido desmancha no ar
O homem e seu ocaso. Essa é uma figura recorrente na obra de Nietzsche, como se pode ler em Assim Falou Zaratustra. Sentado, rodeado de velhas tábuas partidas, sob os últimos raios no poente, o velho profeta, cansado de longa peregrinação, tal como o Sol, aguarda a despedida. Abençoando a si mesmo, de olhos fechados, como alguém que dorme, se bem que não dormisse, Zaratustra pensava no que poderia dizer naqueles instantes finais: ‘Agora eu morro e me extingo, e num relance não serei mais nada; as almas são tão mortais quanto os corpos‘. Sopesando as causas que o destruíam, confortava-se com a sensação de que o mesmo fogo que o queimava haveria de lhe dar vida, eis que dele brotaria a chama do eterno retorno...
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Gaudêncio Torquato
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